o mar do poeta

o mar do poeta

o mar do poeta

o mar do poeta

quarta-feira, agosto 8

MINHA VIDA MILITAR 2a. parte



A viagem foi longa e cansativa, no Entroncamento fui obrigado a trovar de combóio e apanhar o combóio da linha do norte.

Nessa estação havia vendedoras de sandes, comprei uma, foi esse o meu jantar.

Para surpersa minha entraram para o vagão onde me encontrava dois camaradas que tinha estado comigo na mesma compnahia em Tavira, o Ribeiro o 1030, e o Vitória, iam ambos para o RI 10, emtabulamos conserva durante toda a viagem, no vagão fazia um frio de rachar, eu envergava um capote militar era pesado, mas cobir o frio parecia não ser muito útil.



                              Estação de caminhos de ferrro de Aveiro

Seriam ai umas 3 da madrugada quando o combóio parou na gare de Aveiro, o Ribeiro disse que tinha um tio a aguarda-lo e que fosse-mos com ele até sua casa, visto ser ainda muito edo para nos apresentar-mos no quartel, aceitamos o convite.

Fazia um frio de gelar, o tio do Ribeiro conduzia uma camioneta de carga, o Ribeiro ficou na cabine junto do tio e eu e o Vitória nos instalamos nas traseiras e lá seguimos para Aradas, o frio que se fazia sentir e o vento da deslocação da camioneta quase nos congelava, apresentando as nossas faces uma cor arroxada azulada.

Sorte a nossa que a viagem não foi muito longa, chegados a Aradas, descemos da camioneta e entrámos em casa do tio do Ribeiro, passamos pela vacaria que ficava no rés do chão da casa e subimos para o primeiro andar, onde numa enorme cozinha sentimos o calor agradavel que vinha da enorme chaminé onde ardiam grosos toros de madeira.

O meu camarada Ribeiro cumprimentou os familiares e nos apresentou, quando entrou umam prima dele, que estava grávida este lhe disse "purra é só f.... estás prenha de novo" esta só respoindeu vai para o car....., tanto eu como o camarada Vitória ficamos embasbacados, visto que no sul não usava aquele vocabulário.

Uma tia do Ribeiro pôs ao lume uma panela com algo que não cheguei a ver o que era, pouco depois deitou numa tigela adicionando aguardente, bebida essa que o Ribeiro bebeu com todo o prazer, e nos perguntou se queriamos uma malga, tendo nós respondido que não.

Porém ao sabermos que uma malga era tigela e que o ele tinha bebido era leite, pedimos que nos dessem uma mas sem aguardente.

A conserva emtre o Ribeiro e seus familiares muitas das palavras usadas eram só palavrões, e foi desta forma que começamos a compreender as gentes do norte.

Era já dia quando o tio do Ribeiro nos transportou na sua camioneta até Aveiro onde nos fomos apresentar, tendo sido destacado para a primeira companhia, ficando com o número 6619, e eles ficando na segunda.





                         A fachada do quartel do Regimento de Infantaria 10 em Aveiro

Esta unidade do exército servia exclusivamente para formar os novos recrutas, a instrução teria início só  no dia 15 de Janeiro, estavamos ainda no dia 6, pelo que fomos conhecer bem a unidade, a cidade e arredores.

Quanto os novos recrutas se apresentaram foram formadas 4 companhias, a primeira a que eu pertencia era comandada por um Tenente, formaram-se os pelotões, o pelotão a que fiquei a pertencer seria comandando por um Alferes, mas este está em Coimbra acabado o curso de medicina, pelo que fiquei eu a ter essa responsabilidade, igualmente havia só dois cabos miliianos na companhia, um era eu e outro um camarada de Braga.


                   O articulista junto de alguns dos seus instruendos




No campo, em exercício junto de um dos seus instruendo mais bem comportado

O articulista ministrando uma instrução, estando puxando uma corda, podendo-se ver o Cabo Maravilhas seu adjunto.




O articulista dando uma lição de defesa pessoal ao Cabo Maravilhas

A instrução decorreu da melhor forma, porém o Tenente por vezes usava do seu chicote para por na linha um ou outro mais mal comprtado.

A carreira de tiro ficava na Gafanha da Nazaré que distava de Aveiro cerca de 7 kms. e periodicamente lá iamos a pé, fiquei a conhecer algumas localidades uma que não esquecerei mais Verde Milho, visto ter sido ali, que uma senhora que seguia de bicicleta ter embatido em alguns soldados que seguiam em formatura, e para acalmar a situação, e como morava ali mesmo ao lado, foi buscar uns garrafões do tal vinho americano que foi distribuindo pelo pessoal, até o  Tenente bebeu, assim o assunto ficou arrumado sem feridos nem represálias.


Numa das vezes que fomos ministrar aulas de tiro, tivémos um almoço bem à maneira bacalhau com todos, tal como se pode ver na foto, nós os Cabos Milicianos almoçando.

Na zona da Gafanha da Nazaré podíamos ver imensos terrenos, placas com redes onde se fazia a seca do bacalhau.


O articulista com um seu camarada o Vitória, de origem Cabo Verdiana, junto a uma placa à entrada do jardim da cidade.


Os Cabos Milicianos, semanalmente eram obrigados, por escala a fazer ronda à cidade, para tal os acompanhava um soldado, o Cabo Miliciano levava consigo uma pistola Walter, como se pode ver na foto.

Para além das rondas faziam igualmente Sargentos de Dia, como eu era natural de Évora e não podendo ir a casa nos fins de semana, os outros camaradas que residiam perto de Aveiro e mesmo no porto ou Braga, pagavam ao articulista e este fazia o serviço de ronda ou de Sargento de dia por eles.

Foi numa dessas rondas que viu sair do Liceu, uma jovem muito linda tendo mantido conversa com a mesma, ficando amigos.

Numa das paradas junto às casernas havia uns alto palanques onde o articulista gostava de se sentar e ali passar uma horas lendo livros ou escrendo cartas para a sua namorada, nas próximidades ficavam alguns prédios o mais perto até se podia chegar à fala com s eus proprietários, vendo um dia a descobrir que a tal linda moça ali morava e assim ali ficávamos falando.




 Foto do articulista tirada no jardim, junto à ria, um lugar lindissimo que frequentava assiduamente, gostava daquele local, ver as belas flores e ouvir a água a correndo.



Mais uma foto tirada sobre uma ponte de madeira no lindo jardim de Aveiro sito perto do quartel, neste jardim havia um campo de futebol onde ainda o articulista assitiu a alguns jogos do Beira-Mar.

O articulista nessa altura recebi de pré a quantia de 95$00 o que já era muito bom, o que deu para comprar uma barrica de ovos moles e comer umas enguias, a comida que era fornecida na messe de Sargentos era de boa qualidade e servida acompanhada de vinho e fruta. 

Três coisa aconteceram ao articulista que marcaram para sempre a sua estada em Aveiro, a primeira foi, uma noite foi até ao café Arcada, seu café preferido, pediu uma bica e uma omolete, o empregado tomou nota e volvido uns minutos era colocado sobre a sua mesa uma bica e um pequenino pão, bebeu o café comeu o pão e ficou aguardando que lhe fosse entregue a omolete, mas o tempo ia passando e nada, chamou o empregado e perguntou-lhe pela omolete, o empregado em vez de responder à pergunta, retorquiu vovê é do Sul não é? respondi que era alentejano, ele rindo respondeu, mas você já a  comeu, afinal  molete era o pãozinho que me tinha avidado e não omolete como tinha sido pedido, fiquei a aprender mais uma.

O alojamento dos Cbos Milicianos ficava num primeiro andar e não possuia casa de banho, mas nesse mesmo andar havia uma casa de banho, ou sanitário para os Oficiais, um dia estando à rasca para urinar o articulista em vez de ir aos sanitários normais sitos no résdo chão, mas longe do prédio, não se fez rogado e vá de ir mijar nos sanitários dos Oficiais, nisto entra um Capitão indo igualm,ente urinar e ao depar com o articulista disse, Oh Cabo estes sanitários é só para Oficiais, não é que você não tenha um ca...... como o meu, mas para a próxima vez vá mijar com os praças.

Uma noite encontramdo-se de Sargento de Dia à companhia, e encontrando-se esta formada para a chamada de recolher, ia chamando pelos números dos recrutas, estes respondiam e seguiam para a respectiva caserna,  houve então alguém que se encontrava defronte do articulista que teve a lata de dizer, Oh bebé vai tomar o teu biberon!  O articulista indagou quem tinha dito aquela frase mas ninguém se pronunciou.

A formatura era extensa, havia ainda cerca de 100 e tal recrutas formados aguadando que seu número fosse pronunciado, o articulista não o continuo a fazer e tornou a indagar quem tinha dito aquela frase, como ninguém respondeu, e sabendo que tinha sido dita por alguém que se encontrava defronte do articulista, os mandou sair da formatura e os mandou fazer cambalhotas até ao portão de ferro que ainda ficava longe do local, tinha chovido e o chão estava enchardo de água, mas a ordem foi cumprinda tendo sido castigados 12 recrutas.

Entretanto chega o Tenente, comandante da companhia e quis saber o que se passava, ao ter conheciimento, ajudou o articulista afazer a chamada, finda a qual, entrou na caserna, ripou de um chicote e vai de chicotear todos os recrutas, dizendo-lhes que a ordem e a disciplina tinha que ser cumprida, ninguém disse nada, mas ficaram as marcas.

Tinha acabado a recruta os militares instruidos foram detacados para outras unidades afim de tirarem a especialidade, o quartel ficou quase vazio.nada havia para fazer, e o articulista além de seus passeios habituais pelo jardim e pela Avenida Lourenço Peixinho e suas idas ao cinema Avenida, passava parte de seu tempo no tal palanque e ai foi encontrado pelo Primeiro sargento da Companhia a que pertencia, informando-o que tinha sido mobilizado para o Ultramar e que teria que seguir nessa noite para o Regimento de Infataria 16 em Évora.

Lá foi o articulista arrumar as suas tralhas, recebeu a guia de marcha e ia a sair do quartel quando viu seu camarada Vitória com uma mala na mão, tendo-lhe perguntado se tinha sido igualmente mobilizado tendo recebido resposta afirmativa ia para Évora.

Fomos os únicos dois a seguir naquele dia para Évora, os outros seriam mobilizados mais tarde e seguiriam para outras unidades.

Seguia o articulista na companhia do Vitória, quando encontrou a tal moça sua amiga, disse-lhe que ia para Évora seguindo depois para o Ultramar mas não sabia ainda para qual província, tendo-lhe mosytrado a guia de marcha, ela ficou tão triste e chateada que pegou na guia de marcha a enrolou e a deitou para uma sargeta, sorte a minha que a consegui apanhar antes desta desaparecer, mas ficou toda molhada, visto estar a chuviscar. A moça sem mais nada dizer, nem uma deus de despedida, chorou e correndo saiu do pé de nós. A moça era filha de portugueses, tinha nascido em Luanda, e vivia com uma tia em Aveiro, tinha engraçado com o articulista mas a coisa não correu como provavelmente gostaria, até hoje nunca cheguei a saber o nome da moça.

Nas calmas lá subimos a Avenida Lourenço Peixinho, a estação de caminhos de ferro ficada no topo da mesma.



Já na estação ficamos a aguardar a vinda co combóio ue viria do Porto e seguia para Lisboa, nós, de novo teriamos de mudar de combóio no Entroncamento, entretando fomos bebendo uns copitos de bagaço que um amigo ao saber que iam para Ëvora teve a amabilidade de nos ofertar bem como umas sandes para comermos no caminho.



Chegado o combóio ocupamos nossos lugares e ali ficamos a dormir até que o revisor nos disse que tinhamos chegado ao Entroncamento.



Ali aguardamos por uma automotora que nos levou até Évora, onde chegámos já de manhãzinha, não seguimos para o quartel mas sim para a casa do articulista e só depois de tomado o pequeno almoço e deixando parte de seus pertences em casa de sua mãe seguiram então para o RI 16, onde se apresentaram, tendo ficado a saber que o articulista iria fazer parte da Companhia de Caçadores 690 que iria ser formada,  e seu camarada Vitória iria pertencer à Companhia de Caçadores 691, não sabendo ainda qual a província ultramarina para onde iriamos. 




                                 Edífico do Regimento de Infataria 16 em Évora


- Continua -
















2 comentários:

Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...

Estimado amigo António Cambeta!
Reitero que fico impressionado com o seu acervo fotográfico, que é muito precioso para a memória!!!
Caloroso abraço! Saudações fotográficas!
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP

MACAU BANGKOK O MAR DO POETA disse...

Estimado Confrade e Ilustre Prof. João Paulo,
Tenho imensos albuns, pens e um bufalo com 1 milhões de Gg, e muitas fotos deixei ficar em Portugal, quando eu partir um dia não sei se os filhos gostarão de ficar com elas.
A foto para mim regista um determinado momento de minha vida e por vezes passo o tempo olhando-as e fazendo as comprações dos locais de antigamente e os de hoje, já para não falar na minha pessoa.
Abração amigo