o mar do poeta

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segunda-feira, maio 25

DIA DE ÁFRICA




A Organização da Unidade Africana (OUA) foi criada a 25 de Maio de 1963 em Addis Ababa, Etiópia, por iniciativa do Imperador etíope Haile Selassie através da assinatura da sua Constituição por representantes de 32 governos de países africanos independentes. A OUA foi substituída pela União Africana a 9 de Julho de 2002.




Objectivos




Os objectivos da OUA, expressos na sua Constituição eram:




Promover a unidade e solidariedade entre os estados africanos;




Coordenar e intensificar a cooperação entre os estados africanos, no sentido de atingir uma vida melhor para os povos de África;




Defender a soberania, integridade territorial e independência dos estados africanos;




Erradicar todas as formas de colonialismo da África;




Promover a cooperação internacional, respeitando a Carta das Nações Unidas\ e a Declaração Universal dos Direitos Humanos;




Coordenar e harmonizar as políticas dos estados membros nas esferas política, diplomática, económica, educacional, cultural, da saúde, bem estar, ciência, técnica e de defesa.






Realizações da OUA




Durante quase 40 anos de existência, a OUA não conseguiu evitar os inúmeros conflitos que assolaram o continente, nem promover de forma efetiva o seu desenvolvimento. Uma das razões poderia ser o caráter consensual da organização, que nunca puniu os responsáveis por esses problemas, ao contrário da Commonwealth ou da ONU, a primeira por vezes suspendendo das suas actividades governos despóticos, a segunda decretando sanções sobre políticos ou governos.



No entanto, ao manter esse espírito de consenso e a tradição de uma presidência rotativa, decidida em cimeiras anuais regulares, a OUA conseguiu manter a imagem de unidade e de vontade de progresso que lhe granjeou sempre, por parte dos vários blocos econômicos e políticos, apoio real para a resolução de vários problemas.


Apesar de todos os países de África se terem associado à OUA a seguir à sua independência (ou a seguir à democratização da África do Sul subsiste, como questão não resolvida, que continua a ensombrar o espírito de unidade da União Africana, o estatuto do Sahara Ocidental, que foi aceito como membro da organização, o que levou Marrocos a abandoná-la em 1985.


A OUA teve um importante papel na história da descolonização de África, não só como grupo de pressão junto da comunidade inerncional, mas também fornecendo apoio direto aos movimentos de libertação, através do seu Comité Coordenador da Libertação da África.


Outro campo em que a OUA teve sucesso foi na luta contra o apartheid, tanto ao nível da ONU onde foram declaradas sanções contra os governos da África do Sul e da Rodésia, mas ainda conseguindo que aquele regime fosse internacionalmente condenado como “crime contra a Humanidade” na Conferência de Teerão de 1968.




Nos primeiros dez anos da sua existência, a OUA viu-se confrontada com uma série de conflitos sobre a delimitação de fronteiras no norte, leste e centro da África mas, graças aos seus esforços, estes conflitos foram resolvidos num verdadeiro espírito de unidade, sem interferência externa.


Na promoção da cultura africana, a OUA organizou em Agosto de 1969, em Argel, o Primeiro Festival Panafricano da Cultura e, em Outubro de 1970, em Mogadíscio, na Somália, o Primeiro Workshop de Folclore, Dança e Música Africana.


Nos campos do desenvolvimento económico e social, transportes e telecomunicações, a OAU promoveu a harmonização das políticas dos seus membros com reespeito à UNCTAD, BIRD, FMI, UNIDO e OIT. Como consequência, as suas pretensões de formas de comércio mais justas e da plena participação num novo sistema monetário internacional ganharam mais peso, apesar de não terem ainda sido atingidas. Através da OAU, os países africanos proclamaram a sua permanente soberania sobre os seus recursos naturais, tendo levado à modificação da Lei Internacional sobre os recursos da plataforma continental e águas territoriais. Em Fevereiro de 1972, realizou-se em Nairobi, no Quénia, a Primeira Feira de Negócios Panafricana.







Integração econômica de África


Na primeira e segunda conferências dos países independentes de África, realizadas em Acra, Gana, em Abril de 1958, e em Addis Ababa, Etiópia, em Junho de 1960, foram discutidos os problemas económicos desses países e chegou-se a um consenso de que a fragmentação do continente e a concentração da produção numa pequena gama de produtos primários de exportação,constituíam grandes obstáculos à diversificação das actividades económicas e à criação de mercados modernos e internationalmente competitivos. Foi, portanto, acordado que os países africanos independentes deviam promover a cooperação económica entre si.


Duas opções foram discutidas para a implementação da estratégia de integração económica em África:

a) a fórmula panafricana, que advogava a criação imediata duma organização económica continental (esta fórmula derivou em parte das idéias do líder ganense Kwame Nkrumah) e


b) a fórmula sub-regional, que defendia a implementação de acordos de cooperação entre países vizinhos que, eventualmente, poderia gerar formas de cooperação geograficamente mais alargadas.

A maioria dos países estava a favor da opção sub-regional e, neste sentido, a Comissão Econômica da ONU para a África (ECA), propôs a divisão do continente em quatro sub-regiões: oriental e austral, central, ocidental e o Norte de África.

A proposta da Comissão foi adoptada pela Conferência de Chefes de Estado e de Governo da OUA, que instou todas as nações africanas independentes a tomarem, durante a década de 1980, os passos necessários para fortalecer os arranjos económicos sub-regionais já existentes e, se necessário, estabalecer outros de modo a cobrir todo o continente e promover a coordenação e harmonização dos diferentes agrupamentos, com vista ao estabelecimento gradual duma Comunidade Económica Africana no final do século.

Várias destas organizações foram de facto implementadas, entre as quais:

a COMESA, Mercado Comum da África Oriental e Austral;

a SADC, Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral; e

a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Economic Community of West African States, com a sigla ECOWAS, em inglês ou Comunautée Economique des États de l’Afrique Ocidentale, com a sigla CDEAO, em francês).

Órgãos da OUA

Organizava-se em quatro órgãos:

A Conferência dos Chefes de Estado e de Governo, instância suprema;

O Conselho de Ministros, que prepara e executa as decisões da Conferência;

O Secretariado-Geral Administrativo; e

A Comissão de Mediação, de Conciliação e de Arbitragem.




domingo, maio 24

LORCHA MACAU - LORCHA DE MONCHIQUE

O MUSEU DA ESPINGARDA DE TANEGASHIMA EM FORMA DE LORCHA, EMBARCAÇÃO LUSO-CHINESA

OUTRO MONUMENTO LUSO NA ILHA DE TANEGASHIMA


  • O cabo Kadokura, o ponto mais ao sul da ilha de Tanegashima, onde, em 1543, chegaram os portugueses, tem a partir de agora mais um monumento recordando os primeiros contactos entre os dois povos. Numa cerimónia realizada no cabo sobranceiro à praia de Nishimura, onde terá arribado a embarcação com os portugueses que introduziram no Japão as primeiras armas de fogo, foi descerrado um monumento oferecido pelos Serviços de Marinha de Macau.
  • A cerimónia contou com a presença do presidente da Câmara de Minamitane, do Embaixador de Portugal no Japão, José de Mello Gouveia, e do chefe dos Serviços de Marinha de Macau, Comandante Martins Soares, em representação do Governador Carlos Melancia.
  • “Foi aqui que os portugueses introduziram as armas de fogo há cinco séculos, revolucionando a tecnologia de guerra no país. É aqui que temos hoje o centro especial japonês, ou seja, a nossa tecnologia de ponta”, afirmou o presidente da Câmara de Minamitane, Kaoru Nakamine, que salientou ainda que o primeiro encontro entre portugueses e japoneses marca “o início do intercâmbio internacional do Japão”.
  • O Comandante Martins Soares reforçou a ideia do presidente da Câmara de Minamitane ao afirmar que “durante muitos anos, os portugueses contribuíram, com os conhecimentos de que eram portadores, para o alargamento da cultura japonesa e noutro sentido, foram os pioneiros na difusão da cultura japonesa para a Europa de então”. Martins Soares formulou ainda votos para que “se reganhe vitalidade, dinamismo e actualidade (...) no futuro e na modernidade das relações entre o Japão e Portugal”.
  • A lápide agora descerrada, em forma de vela, e que comemora igualmente a vinda a Tanegashima da lorcha “Macau”, junta-se a quatro outros monumentos dedicados à chegada dos portugueses, em 1543, o mais recente deles deixado pelo navio-escola “Sagres” há cinco anos. O monumento oferecido pelos Serviços de Marinha de Macau, construído com granito na ilha de Tanegashima, foi benzido por um Padre Católico que, com três religiosas japoneses, realizou uma breve e inédita cerimónia religiosa.
(Jornal Tribuna de Macau 25-7-2008) reproduzindo acontecimentos de há 20 anos.

Lorcha Macau


A Lorcha Macau foi uma réplica de uma lorcha macaense construída no território pela Marinha Portuguesa, com a classificação de UAM. Após participar na EXPO'98 foi doada à Aporvela, e posteriormente à Fundação Oriente.


História

  • Em 1986 em grupo de emigrantes portugueses da África do Sul construiu a réplica de uma caravela, a "Bartolomeu Dias", para assinalar a presença portuguesa nesse país. A ideia de fazer algo semelhante em Macau nasceu e cresceu no seio do contingente da Marinha no território, e após alguns estudos, foi iniciada a sua construção.

A Lorcha"Macau" (UAM 202)

  • Lopo após o seu lançamento à água, a Lorcha Macau navegou até ao Japão para participar no Festival da Espingarda, na ilha de Tanegashima, onde se comemora todos os anos e chegada dos portugueses ao Império do Sol Nascente, tendo visitado também os portos de Kagoshima, Nagasaky e Omura.
  • - A lorcha “Macau”, que participou no festival da espingarda, na ilha de Tanegashima (Japão), regressa a Macau no dia 19 de Agosto, depois de uma viagem de 44 dias, revelou à agência Lusa uma fonte dos Serviços de Marinha.
  • A lorcha “Macau”, que partiu do Japão no passado dia 4, encontra-se neste momento na cidade chinesa de Xangai na sua viagem de regresso ao território. A embarcação, réplica dos navios que nos séculos XVI e XVII sulcavam as águas do mar do sul da China e do Japão, esteve em Kagoshima, Tanegashima, Nagazaki e Omura, cidades onde os portugueses se estabeleceram no século XVI.
  • Até ao momento, a embarcação tem encontrado condições meteorológicas favoráveis nesta sua viagem de regresso a Macau. Com uma tripulação de 13 homens, a lorcha foi construída em Macau, possuindo o casco de tipo ocidental e o sistema de velas de influência chinesa. Segundo informação dos Serviços de Marinha, a lorcha “Macau”, depois de alguns ajustamentos e alterações necessárias a uma melhor utilização, nomeadamente no sistema de velas, poderá efectuar ainda este ano viagens à ilha chinesa de Sanchoão, onde morreu São Francisco Xavier, em Dezembro de 1552.

In “Jornal de Macau” e “Tribuna de Macau” 10.08.1988

  • Nos anos seguintes foram efectuadas várias viagens no mar da China, até à Correia, Singapura, etc.

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  • Por altura do ano de 1989 o Embaixador Castello-Branco recebeu a visita de duas personalidades de Macau: o Comandante da "Lorcha Macau", o oficial da Marinha Portuguesa, Sá Leal, destacado naquele território; o Dr. José Lobo de Amaral, o director das edições do Centro Cultural de Macau.
    A "Lorcha", sob o comando de Sá Leal, tinha feito furor em duas viagens: uma efectuada ao Japão e outra a Goa.

  • A "Lorcha Macau" era o símbolo, na Ásia, da portugalidade de outras eras.

  • Tinha sido construída nos estaleiros de Macau e fiel aos desígnios quinhentistas.

  • O Comandante Sá Leal, meu amigo, era daquelas pessoas mais generosas que haja conhecido, já viúvo, apaixonava-se facilmente pelos olhos, femininos, amendoados.

  • Mas não haveria mal nenhum nisso, pois o mesmo já tinha acontecido ao Comandante, primeiro-tenente, Venceslau de Morais de quando comandante da canhoneira Tejo, a fez navegar no Rio Chao Prya, lançar o ferro, em frente ao Consulado de Portugal, em Março de 1890.

  • Sá Leal pretendia trazer a "Lorcha Macau" a Banguecoque e ancorá-la em frente ao Jardim da Embaixada de Portugal.

  • Em sua mente estava haver recepções a bordo, fazendo os convites o chefe de missão, colocá-la à disposição da comunidade portuguesa e luso-descendente, oferecendo-lhe beberetes e lembranças.

  • Naquele barco cozinhava-se comida portuguesa e macaense e com uma despensa bem recheada de bacalhau, azeite e outras especialidades portuguesas.

  • Sá Leal e Lobo Amaral foram recebidos no gabinete do embaixador, ainda na residência junto à cozinha. Os dois ilustres homens de Macau apresentaram o projecto da "Lorcha Macau" navegar pelos Mar do Sul da China, o Golfo do Sião, subir o Chao Prya e quedar-se, ancorada, em frente à "Nobre Casa".

    A vinda da "Lorcha Macau" não era bem vista pelo Embaixador Castello-Branco...

  • Primeiro porque na data assinalada pelo Comandante Sá Leal (um homem de meia idade e daqueles, marinheiros, que amam o mar), não estava conforme porque nessa altura estava ancorada no Porto de Banguecoque uma fragata inglesa e aquela pequena nau de outras eras não prestigiava, nada Portugal...

  • Sá Leal responde-lhe: "Senhor Embaixador mas a "Lorcha Macau" já esteve ancorada em diversos portos, onde estavam vasos de guerra, de outros países, em visitas de cortesia e nós marinheiros confraternizamos uns com os outros"!

  • E continuou: "Senhor Embaixador de marinharia e convívio entre outras tripulações, estrangeiras, conheço eu..."

  • Havia um problema o mastro principal da lorcha ser demasiado alto e não passava sob os arcos da ponte da Sathorn, a jusante da embaixada uns 500/700 metros.

  • Esse entrave seria solucionado com a colocação de outro mastro, em Macau, para que a lorcha chegasse e ancorasse em frente à Embaixada de Portugal.

  • Sá Leal a todo o custo queria mostrar a sua embarcação, quinhentista, aos habitantes da cidade de Banguecoque.

  • Mas todas as suas pretensões foram goradas pelo desinteresse do Embaixador Castello-Branco.
    E eu e outros portugueses residentes em Banguecoque não nos deliciamos com umas boas comidas portuguesas e macaense na "Lorcha Macau".

  • E, não só, umas boas postas de bacalhau, azeite e azeitonas que Sá Leal me tinha prometido para a despensa de minha casa!

  • Na Tailândia não há bacalhau, por estranho que pareça e por tal, tenho sido, neste reino, um pobre de possuir o fiel amigo.

    José Lobo Amaral fez outro pedido ao Embaixador Castello-Branco e este seria o autorizar a levar para Macau, uma certa quantidade, de monografias editadas no consulado do Embaixador Mello Gouveia...

  • Este pedido foi logo atendido dizendo-lhe: leve-as todas.

Isso é LIXO!

  • Depois de o Comadante Sá Leal e o Lobo Amaral de terem deixado o gabinete de Castello-Branco, chegaram junto a mim completamente frustados...

  • Quanto ao oferecimento das monografias (lixo) seria eu que as tinha de dar a Lobo Amaral e desde logo lhe disse: "Lobo Amaral vai levar algumas, mas todas não leva..." E claro só levou aquelas que entendi que deveria levar.


Casos de negação para a realização de eventos eram coisa comum na Embaixada.


O Dr. Paulo Rufino, meu compadre, a sua primeira comissão de adido foi na Embaixada de Portugal durante o consulado do Embaixador Mello Gouveia.


Era um jovem com o sangue novo e gostava de fazer coisas...
(Extraído do blogaquimaria) - de José Martins
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Em 1998 foi trazida para Lisboa, onde teve um lugar de destaque na Exibição Náutica da EXPO'98. Nesse mesmo ano foi abatida ao efectivo, por despacho do Almirante CEMA a 28 de Setembro e entregue a título gratuito à APORVELA.
Posteriormente foi cedida para a Fundações Oriente.

Características

Comprimento fora a fora: 26.52 m Comprimento incluindo gurupés e retranca: 34.10 m Boca máxima: 6.60 m Pontal: 3.58 m Calado: 3.00 m Guarnição fixa: 10

LORCHA MACAU

  • O termo lorcha designa uma embarcação cujo casco obedece a um traçado europeu e cujo leme e aparelho vélico são de concepção oriental, combinando assim várias características que lhe davam rapidez e facilidade de manobra.
  • A tonelagem destes navios era bastante variável, podendo ir desde 30 a 50 tonaladas. Normalmente construídas em madeira de cânfora e teca, as lorchas possuiam dois ou três mastros e estavam armadas com inúmeras peças de calibres diferentes.
  • No séc.XIX as lorchas eram utilizadas quer no transporte de carga quer no serviço de vigilância e defesa contra os piratas.
  • Através de um afretamento a preços previamente estabelecidos, os patrões das lorchas forneciam serviços de protecção a outras embarcações mercantes e de pesca, ao longo da costa do sul da China e, nalguns casos até perto das costas do Japão e da Coreia.
  • A sua tripulação era mista, sendo um terço de portugueses e dois terços de chineses, num total que podia chegar até trinta homens.Em meados do séc.XIX existiam no porto de Macau mais de 60 lorchas, incluindo-se neste número algumas lorchas de guerra, cujo armamento era reforçado, e que se dedicavam apenas ao combate de piratas.
  • São conhecidas as descrições de alguns combates em que intervieram as lorchas Adamastor, Leão Terrível, Amazona, Tritão e que terminaram com a destruição de inúmeros juncos piratas.
  • A pouco e pouco, por diversos motivos, as lorchas de Macau foram desaparecendo, sendo substituídas por embarcações a vapor, que transportavam mais rapidamente as mercadorias ao longo do litoral da China.
  • Apesar da sua construção não ter sido feita apenas em Macau, pois havia lorchas contruídas em Bangkok, Ningpo e Singapura, estas embarcações desapareceram completamente das águas do Sul da China nas primeiras décadas do século XX.

Características: Comprimento fora a fora: 26.52 m Comprimento incluindo gurupés e retranca: 34.10 m


  • A lorcha Macau foi projectada e construída pelas Oficinas Navais de Macau em 1987-1988. O casco é de chau-ferro acima da linha de flutuação e de san-cheong, abaixo desta, sendo as zonas de reforço em chau-ferro.
  • O convés e as superestruturas são em madeira de teca. O aparelho é do tipo oriental, sendo constituído por três velas e vergas em madeira e réguas e retrancas em bambú, envergando em três mastros de madeira. Para além do aparelho vélico, dispõe ainda de dois motores de 300 BHP/1800 Rpm, que proporcionam uma velocidade de cruzeiro de 9 nós.
  • O Macau dispõe ainda de todo o equipamento moderno de navegação e comunicações.Esta embarcação destina-se a proporcionar a prática de mar à juventude de Macau e a divulgar no estrangeiro o nome do Território, bem como as suas realidades económicas, turísticas e culturais.



















  • A lorcha"Macau" (UAM 202) foi abatida ao efectivo dos navios da Armada pelo Despacho n2 46/98 de 28 de Setembro do Almirante CEMA. Consideradas que, por parte da Marinha, se esgotaram as razões que justificaram asuaclassificação como Unidade .Auxiliar da Marinha (UAM), foi julgado oportuno a transferência do navio, a título gratuito, para a Associação Portuguesa de Treino de Vela (APORVELA), de acordo com a intenção oportunamente expressa pelo Governo de Macau. A cerimónia de transferência efectuou-se em 1 de Outubro de 1998. 0 primeiro oficial de marinha Comandante da lorcha "Macau" relata-nos seguidamente o historial do nascimento do navio, alguns episódios marcantes e o testemunho que o navio deixou no Extremo Oriente.


  • Em linhas muito gerais - e um tanto simplistas - dir-se-ia que os Portugueses, chegados ao Extremo Oriente e postos perante embarcações substancialmente diferentes das suas, terão concluído que os cascos ocidentais seriam melhores que os cascos locais - mas que, em contrapartida, as velas locais (do tipo junco) seriam mais práticas que as dos seus navios.

  • Da simbiose do que de melhor havia em cada tipo de embarcação terão nascido as lorchas que foram as embarcações emblemáticas da presença Portuguesa naquela parte do Mundo.

  • Ao longo dos tempos, as lorchas foram caçadoras de piratas, navios de carga, receberam motores auxiliares... e desapareceram no princípio deste século, vencidas pelo inexorável avanço do progresso.

  • Quando, em 1986, emigrantes portugueses da África do Sul promoveram a construção da caravela "Bartolomeu Dias", com o objectivo de a perpetuar no seu país de acolhimento, nasceu em Macau a ideia de construir também um navio que, partindo de Oriente' chegasse em simultâneo a Mosel Bay - após o que rumaria a Portugal, integrando-se no espólio do Museu de Marinha. Inevitavelmente a escolha recaiu numa lorcha.
  • É oportuno recordar os mentores deste projecto: Capitão de Fragata António Martins Soares, então Capitão dos Portos de Macau, e Dr. Carlos Monjardino, na altura Secretário Adjunto do governo do território, na sequência de uma ideia dos então Comandantes Nobre de Carvalho e Pereira da Costa.

  • A primeira questão a surgir foi a falta de documentos escritos que pudessem orientar o Engº. Matias Cortes, Director das Oficinas Navais de Macau, na elaboração dos planos da futura lorcha.
  • A segunda foi o constrangimento do comprimento do navio, forçado pela pequena dimensão das carreiras de construção existentes em Macau, face a determinados requisitos aceites e porventura menos necessários (dois motores principais, por exemplo -que obrigaram a desrespeitar a proporção comprimento / boca, tomando o navio mais bojudo que o original e diminuindo-lhe significativamente as qualidades vélicas).
  • A terceira, de natureza política, teve a ver com as reticências que o governo da Nação colocou na viagem à África do Sul - numa altura em que o "apartheid" ainda ditava leis naquele país. A quarta, e definitiva, foi a escassez de calendário para a conclusão da construção em tempo de cumprir o encontro com a "Bartolomeu Dias".

  • Com destino aos Serviços de Marinha de Macau, cheguei ao território em Maio de 1986 - altura em que pela primeira vez tomei contacto com o projecto Iorcha"... e com um casco em construção acelerada, num dos estaleiros tradicionais de ilha de Coloane- fase a que se seguiu a conclusão da obra e o aprestamento nas nossas Oficinas Navais.
  • A impossibilidade de cumprir o projecto original obrigou a repensar o destino da lorcha, tendo-se optado pela sua utilização como navio de treino de mar e de representação do Território e do País no estrangeiro.

Nasceu assim a U. A. M. 202 "MACAU".

  • Resolvidas estas questões de princípio... seguiram-se-lhe outras, de cariz mais prático. Que guarnição? Que regime de vida a bordo? Que uniforme? Rancho ou não rancho? Que subsídio de embarque? Que horário diário? Que procedimentos administrativos?

  • Como princípio orientador básico, procurou-se adoptar a doutrina seguida nos nossos navios, com as necessárias adaptações. Um exemplo: criou-se um Mapa de Abono... mensal, em impresso próprio - que "por acaso" não falava em sabão para lavar macas, mas que funcionava perfeitamente.

  • Para a lotação do navio considerou-se que dez seria um número razoável; 1 comandante (em acumulação com outras funções nos Serviços de Marinha), 1 mestre, 1 contramestre, 2 manobras, 2 condutores de máquinas, 1 "electrónico", 1 cozinheiro e 1 copeiro (este último com bastantes funções do "manobra" no dia a dia), lotação esta a reforçar com viagens longas com mais um oficial e um sargento MQ.
  • Para mestre e contramestre chamaram-se de Portugal um Sargento e um Cabo de Manobra - o V Sarg. M Lúcio e o Cabo M Baptista. O restante pessoal foi recrutado localmente - o que levantou o problema adicional... da linguagem. É que nem os "ocidentais" falavam cantonense, nem os "orientais" falavam português!

  • A viagem inaugural da lorcha teve lugar (muito!) poucos dias depois de ter sido dada como pronta pelas Oficinas Navais. Rumou-se ao Japão, a fim de participar no Festival da Espingarda, na ilha de Tanegashima, onde se comemora todos os anos e chegada dos portugueses ao Império do Sol Nascente. Visitadas também, na altura, Kagoshima, Nagasaky e Omura.

  • O aprontamento do navio foi acelerado - e houve mesmo necessidade de levar a bordo um intérprete, o mestre Valente, meu "braço direito" no Departamento de Actividades Marítimas da Capitania dos Portos de Macau. Mas nem por isso a preparação da missão foi descurada. Desde logo se constituiu um Grupo de Trabalho para as actividades da lorcha "Macau" (que "funcionava" mesmo!) e cuja tarefa era propor, organizar e acompanhar os programas aprovados para o navio.
  • Dele faziam parte representantes do Museu Marítimo, dos Serviços de Educação, do Turismo, da Economia, o Instituto Cultural de Macau e, mais tarde, da delegação local da Comissão dos Descobrimentos. Assim, quando a lorcha se deslocava ao estrangeiro, constituía apenas a parte mais "visível" de uma numerosa comitiva (que evidentemente se deslocava de avião).
  • O "programa tipo" integrava exposições, conferências, uma semana de gastronomia portuguesa e macaense num grande hotel local e espectáculos pelo Rancho Folclórico de Macau ou por grupos de alunos dos estabelecimentos de ensino do Território. Estas viagens pressupunham uma programação cuidada, que implicava normalmente a deslocação prévia aos locais por parte de alguns dos membros do "Grupo de Trabalho".
  • É claro que isto implicava despesas -Mas, mais tarde, os resultados obtidos encarregavam-se de as justificar amplamente. Também neste particular é oportuno recordar um pormenor relevante: é que todos os custos da missão - lorcha incluída - eram partilhados pelas entidades oficiais participantes (Educação, Turismo, etc.) e não apenas pelos Serviços de Marinha. óbvio, não é verdade?

    Finda a viagem inaugural, houve que corrigir alguns pormenores no navio e ganhar uma rotina de vida diária e de actividade operacional em Macau.A principal avaria que se registou foi num dos telecomandos dos motores principais, o que obrigou a dar ordens por "porta-voz" para a ponte baixa, donde era possível comandar o motor em causa.


  • Nada de complicado no assunto... excepto uma vez, já em Macau, em pleno canal do Porto Interior, em que o "homem da ponte baixa" entendeu a voz de "pára a máquina" como ordem para desligar o motor...

  • Já nessa altura, e durante cerca de dezoito meses, a primeira hora e meia de cada dia de serviço era dedicada à aprendizagem da linguagem: português e cantonense. Professores e alunos éramos nós todos, sentados em redor da mesa do refeitório. O inglês era a língua comum, partilhada por mim e pelo A Chun, o nosso marinheiro "electrónico", que nos permitia orientar a classe".

  • O rancho, constituído logo que o navio arrancou, foi evoluindo do peixe cozido... com arroz, para uma mesa farta e de excelente qualidade, com sopa, um prato ocidental e dois ou três pratos chineses por refeição - combinação da boa gestão financeira e das artes culinárias do Mestre Lúcio com a qualidade e vontade de aprender de A Keong, o cozinheiro. A refeição era comum, no refeitório, excepto quando havia convidados para a Câmara de Oficiais.
  • Enquanto internamente, vivendo, convivendo e trabalhando em conjunto, se iam retratando, de certo modo, as etapas de adaptação que os nossos antepassados portugueses e chineses percorreram, trabalho operacional não faltava:
  • apoio à Escola de Pilotagem de Macau na formação dos quadros dos Serviços de Marinha, apoio à formação de desportistas náuticos (designadamente os dos cursos de Patrão do Alto), embarque de jovens das escolas do Território em viagens de treino de mar, aos domingos... Raras foram as semanas em que não houve missões programadas - as quais foram aproveitadas para saídas em treino próprio.

Foram assim os primeiros tempos de vida da lorcha "MACAU".

  • Ainda sob meu comando efectuaram-se, sempre segundo o padrão atrás descrito, viagens a Cantão, ao Japão e à India (com passagem por Singapura, Malásia, Sri-Lanka, Tailândia, Vietname..).
  • Aventuras e desventuras, enrascanços e desenrascanços, dias magníficos e rabos de tufões, amizades e amores, riscos, lágrimas de emoção e de saudade, provas de consideração... e de desconfiança, momentos solenes e de puro divertimento, de tudo houve um pouco nestas viagens.
  • Em Tanegashima sentimo-nos em casa; em Nagasaky ouvimos em nossa honra o hino nacional, cantado em português, por um coro de dezenas de figuras;
  • em Taiwan, um pedido de arribada para fugir a um tufão que se aproximava perigosamente, só foi atendido quase vinte e quatro horas depois (enquanto o mar ia crescendo assustadoramente);
  • em Bombaim fomos recebidos debaixo do arco triunfal das Portas da Índia pela marinha indiana e pelo presidente da Câmara;
  • em Singapura obrigaram-nos a pagar o gasóleo "cash and in advance" "borrifando-se" completamente nos nossos protestos de que a lorcha era um "Portuguese Navy Ship";
  • em Malaca, onde uma pequena comunidade fala uma espécie de português arcaico e se orgulha da sua ascendência lusitana, vimos um rancho folclórico dançando o vira e o malhão;
  • em Goa desembarcámos sob uma chuva de flores e cantaram-nos o fado;
  • em Cantão teimaram em que o navio deveria içar a bandeira chinesa de cortesia;
  • em Danang, ficámos uma semana retidos pelo mau tempo... e percebemos porque custou tanto a tantos americanos deixarem aquele país... ;
  • no estreito de Malaca escondemos valores e dinheiro com receio do assalto de piratas;
  • em Damão, depois de uma noite memorável de confraternização a bordo, com a lorcha fundeada no rio Sandalcal, sob um luar indescritível, não contivemos a emoção ao ver partir os nossos anfitriões cantando toda a saudade que lhes ia na alma...
  • De todos estes contactos ficaram o testemunho do grande capital de consideração que Portugal goza no Extremo Oriente, um enorme orgulho no nosso passado, amizades sólidas por onde se passou e com quem se trabalhou e, finalmente, uma indestrutível ligação com a guarnição de lorcha "MACAU".

Em 1998, a lorcha veio para Portugal, a fim de participar na EXPO.

  • Esgotadas as razões que justificaram a classificação do navio como Unidade Auxiliar e deixando de estar ao serviço do Governo de Macau, foi decidido superiormente o seu abate.

  • A APORVELA, em boa hora manifestou interesse no concurso do navio para treino de mar dos seus associados. Em 1 de Outubro do passado ano procedeu-se à cerimónia de oferta com todo o seu equipamento àquela associação, abrindo-se assim um novo capítulo na sua vida.

  • Para ela, para a APORVELA e para o velho amigo Zé Inácio, seu novo comandante - boa sorte... e bons ventos!!

Rui M. Sá Leal
CMG



(Primeiro Comandante da Lorcha Macau)









A LORCHA MACAU É AGORA A LORCHA DE MONCHIQUE

Navegou pelo Índico e por outros mares, tinha grandes objectivos; hoje faz passeios na costa do Algarve, ao serviço das Termas de Monchique.

O Museu de Marinha não a quer.

Os leitores de Macau – nomeadamente os mais recentes – que costumam acompanhar a rubrica “Há 20 anos” do Jornal Tribuna de Macau já puderam ler várias vezes sobre uma Lorcha Macau. Há 20 anos a construção desse barco gerou bastante expectativa e havia, na comunicação social local, grande atenção à sua actividade.

Por coincidência, alguns desses leitores podem já ter visto no Porto de Portimão, no Algarve, um barco com o nome de Lorcha Macau. Podem até ter ouvido falar que as Termas de Monchique, também no Algarve, oferecem passeios de um dia nesse barco, com almoço a bordo.

Trata-se do mesmo barco. O barco que a marinha portuguesa mandou fazer localmente (nos estaleiros de Coloane), por influência dos oficiais destacados em Macau, no final da década 80 do século passado, replicando uma lorcha tradicional, é hoje propriedade da Fundação Oriente, está adstrita às Termas de Monchique e atracaca no Porto de Portimão, onde realiza viagens turísticas.

Monjardino, mentor do projecto

Tal como descreve o seu primeiro comandante, Rui Sá Leal (num texto publicado pela Revista da Marinha), “quando, em 1986, emigrantes portugueses da África do Sul promoveram a construção da caravela “Bartolomeu Dias”, com o objevtivo de a perpertuar no seu país de acolhimento, nasceu em Macau a ideia de construir também um navio, que, partindo de Oriente chegasse a Mosel Bay (na Africa do Sul, onde Bartolomeu Dias aportou, depois de passar o Cabo da Boa Esperança, e onde se encontraria com a réplica da caravela Bartolomeu Dias) – após o que rumaria a Portugal, integrando-se no espólio do Museu de Marinha.

Inevitavelmente a escolha recaiu numa lorcha. É oportuno recordar os mentores deste projecto: Capitão de Fragata, António Martins Soares, então Capitão dos Portos de Macau, e Dr. Carlos Monjardino, na altura Secretário Adjunto do governo do território, na sequência de uma ideia dos então Comandantes Nobre de Carvalho e Pereira da Costa.

Em 1988, a Lorcha Macau foi lançada à água e a primeira viagem foi aré ao Japão onde participou no Festival da Espingarda, na ilha de Tanegashima ( uma festa que assinala anualmente a chegada dos portugueses a este país).

Além de outros portos japoneses, a Lorcha foi ainda à Índia, a Cantão, e passou por portos de Singapura, Malásia, Sri-Lank, Tailândia e Vietname, antes de viajar para Portugal, onde esteve na Expo 98.

A partir daí, e de acordo com o despacho do então chefe do Estado Maior da Armada, citado pelo comandante Sá Leal, “esgotadas as razões que justificaram a classificação do navio como Unidade Auxiliar e deixando de estar ao serviço do Governo de Macau, foi decidido superiormente o seu abate”. A APORVELA, Associação Portuguesa de Treino à Vela, mostrou interesse em receb6e-la gratuitamente, o que aconteceu ainda em 1998, mas cedeu-a em 2001 à Fundação Oriente e à Fundação Stanley Ho, as actuais proprietárias.

Como as Termas de Monchique pertencem à Fundação Oriente, as viagens na costa algarvia foram o destino natural.

MUSEU DA MARINHA NÃO A QUER

Questionada pelo PONTO FINAL sobre se a actual utilização não será um desvirtuamento face aos objectivos iniciais, a Fundação Oriente respondeu que não, que “não será um desvirtuamento, pois não há certamente muitas outras actividades que se adaptem a este tipo de embarcação. A Fundação já equacinou a sua cedência ao Museu da Marinha, que é porventura onde devria estar, mas até agora não houve interesse por parte daquele museu”.

Por isso os planos passam por continuar afecta às Termas de Monchique, dizem-nos.

Para a Fundação Oriente trata-se de mais um custo, na medida em que as receitas geradas não serão suficientes para pagar a sua manutenção e operação anual (aliás, pode ler-se no relatório e contas da Fundação Stanley Ho que “a Fundação oriente é credora de custos com o navio Lorcha Macau, pertencentes às duas fundações”.

O PONTO FINAL quis saber mais um pouco, mas as informações que vieram da Rua do Salitre, em Lisboa, dizem apenas que “os custos de manutenção dependem dos anos”e que as receitas geradas são “reduzidas”.

(artigo publicado em Macau no Jornal Ponto Final)



























sábado, maio 23

MACAU NOS ANOS 90



Contrabando é a entrada ou saída de produto proibido, ou que atente contra a saúde ou a moralidade.


Já o descaminho é a entrada ou saída de produtos permitidos, mas sem passar pelos trâmites burocráticos-tributários devidos.















ACREDITE que não o estamos a enganar. Nos dicionários de Macau a palavra "contrabando" não existe!...
À primeira vista custa, defacto, como nos custou a nós, compreender tal afirmação, mas, no fundo, a explicação é simples.
  • Devido à especificidade das leis da matéria porque se rege o Território, não se pode nunca, segundo nos revelou o comandante Barbosa Alves, da Polícia Marítima e Fiscal, falr de "contrabando".
  • Como a lei é permissa em relação à exportação e importação de produtos, desde que para tal haja um documento passado pelos Serviços de Economia, não existe, leteralmente, qualquer espécie de "contrabando" mas, em sua substituição, "exportações ou importações ilegais", isto é, não declaradas.
  • O acto, bem vistas as coisas, é o mesmo, não há diferença nenhuma mas, enquanto o contabando é considerado crime. a exportação ou a importação ilegal de produtos é, apenas, "uma pequena infração às regras".
(Entrevista de Luis Santos, publicada no Jornal Tribuna de Macau em 14 de Julho de 1990.)




  • MERCADORIAS PARA TODOS OS GOSTOS
  • OS EFECTIVOS da Polícia Marítima e Fiscal do Território estão tão habituados às quantidades e variedades de produtos que numa cadência diária passam pelas águas de Macau, muitas vezes à frente dos seus próprios olhos sem oportunidade de fazer o que quer que seja, que de facto, já não se espantam com a imaginação e criatividade dos "exportadores ilegais", a não ser, claro, quando alguma coisa inédita acontece.
  • Os armazéns daquela corporação, como o repórter pôde constatar, estão mesmo repletos de caixotes com diversa mercadoria apreendida pelos elementos da PMF. Ali há, de facto, de tudo. São os volumes - às centenas ... - de tabaco das mais diversas marcas, os aparelhos de ar condicionado, as televisões, os gravadores de vídeo, enfim, um sem número de aparelhos que "enche o olho" e causa problemas de armazenamento...
  • Recentemente, segundo nos revelaram os dois comandantes de Divisão - Rocha e Abreu (Divisão Terra) e Saldanha Junceiro (Divisão mar) ... têm aparecido quantidades apreciáveis de "cassetes vídeo de 3/4 de polegada" que até agora não surgiam comumente.
  • A admiração, reside, segundo nos enuncia o comandante Rocha e Abreu, pelo facto de se tratar de "cassetes profissionais, utilizadas quase unicamente pelas cadeias de teelvisão", que o vulgar cidadão não usa habitualmente.
  • Segundo o comandante Saldanha Junceiro a próxima realização em Pequim, dos Jogos Asiáticos, poderá ser "a razão/causa próxima do aprecimento deste tipo de material".
  • Desta forma, e desde que se possua uma câmara de filmar apropriada para este tipo de cassetes, pode-se realizar uma boa gravação daquele acontecimento e, depois, comercializá-la... isto é, matéria-prima mais barata, material de qualidade, e, finalmente, um produto caro, um verdadeiro "negócio da China"!
(Tribuna de Macau - 14-7-90 Luís Santos)















  • OS MEIOS DE TRANSPORTE utilizados pelos "exportadores ilegais", tal como a quantidade e variedade da "mercadoria" que fazem passar de um lado para o outro, sofreram, com o decorrer dos tempos, uma evolução técnica relativamente considerável e que, de alguma maneira, se tem que considerar como normal.
  • Assim, se antes realizavam as suas operações com as pequenas e não menos falíveis sampanas, talvez querendo imitar os pescadores ou um qualquer aventureiro da história, os homens das exportações, nos tempos de agora, estão com grande apetência para as lanchas rápidas, quem sabe numa tentativa de ostentarem uma modernização como aquela que os James Bond - noutro tipo de actividade, é certo, e ao serviço do seu país - apresentava e apresenta nas películas que percorrem as salas de espectáculos.
  • As exigências são outras e, cada vez mais, o seu sucesso de qualquer "operação" está dependente da capacidade das "máquinas" e, como tal, não há nada como possuir meios rápidos, inclusivamemnte, em determinados casos, mais rápidos que os da polícia.
  • Com o tempo, se calhar, qualquer dia já nem as lanchas chegam...
(Tribuna de Macau - 14-7-90)









  • A passagem de produtos "em trânsito" por Macau pode não fazer uma grande mossa aos comerciantes locais, mas dá cabo da cabeça aos agentes da P.F.M. que têm que controlar se os produtos trazem "bilhete de identidade". Muitas vezes não trazem e a sostificação dos passadores é tal, que há quem considere urgente a modernização da legislação.
(Jornal Tribuna de Macau - 14-7-90)











O Jornal de língua chinesa TAI CHUNG POU, pubicou na sua ediçào de 1-9-1991, esta apreensão, realizada pelo signatário, na ponte 14.









  • DO TABACO ÀS CASSETES DE VÍDEO
  • O tabaco já não é, reconheçamos, a única mercadoria que, muitas vezes, viaja sem "bilhete de identidade". As "necessidades" são tantas que, desde já algum tempo, os electrodomésticos - com predominância para as televisões, vídeos e frigoríficos -, os aparelhos de ar condicioando e, vejam só, cassetes de vídeo de 3/4 de polegada, também já constam na lista de produtos que, aqui e além, "se passam para o outro lado".
  • Muito embora não seja, como acabámos de afirmar, a única mercadoria que desperta o interesse dos chineses o tabaco tem, se assim se pdoerá dizer, a "rota" mais esquisita de todos os produtos.
  • Pelas Portas do Cerco entram, diariamente, em Macau, cerca de 22 mil pessoas. Estas pessoas são, claro, potenciais transportadores de uma ou duas "tiras"de tabaco cada uma, acabadinhas de comprar no "Duty Free" do lado de lá. Assim, logo que entram em Macau, qualquer uma delas pode ganhar, se assim quiser, duas patacas em cada pacote de tabaco. Mas, não é isso que acontece...
  • O tabaco volta a entrar na China e aí a "parada"volta, mais uma vez, a subir. Nem seis, nem oito, nem dez, mas sim doze patacas! Quer dizer, o dobro do preço que ele custou ao transportador.
  • Objectivamente, neste caso, o tabaco apenas vem a Macau "tomar um pouco de ar", porque, passado pouco tempo, pelo mesmo local por onde saíu, volta a entrar na China.
  • Mas este acto, que segundo a legislação de Macau, é apenas "uma pequena infracção", não tem um único sentido. Há gente de Macau, alguns portugueses, porque não dizê-lo, que, de visita a Zhuhai compram duas "tiras"de tabaco, que vendem do outro lado, com a maior facilidade. Diz quem sabe, que o ganho dá para o almoço e para comparar uns peixinhos no bem abastecido Mercado de Zhuhai.
(Tribuna de Macau - 14-7-90)
  • O articulista foi um dos maiores combatentes a este tipo de infrações, todas as maiores apreensões foram por ele realizadas, tanto em Macau como nas Ilhas da Taipa e de Coloane.

  • Não pactuou com os infractores,não lhes dando tréguas, quer aos carteiristas, passadores de bilhetes de viagem (assabarcadores de bilhetes), bem como captarou milhares de imigrantes ilegais.
  • O articulista não brincava em serviço, o termo corrupção era para ele um alvo a abater e por isso ganhou imensos inimigos quer, dentro da Corporação quer de fora!... Enfim é a vida...










24 de JANEIRO de 1989 - SALVAMENTO NO MAR

A BORDO DA VEDETA DE FISCALIZAÇÃO DA CLASSE ALBATROZ - BRAVO 1 - MONDEGO

O SIGNATÁRIO
O SIGNATÁRIO - PATRÃO DA VEDETA E SEU SOTA PATRÃO, ALGURES NO MÁRES DA CHINA



O SIGNATÁRIO VENDO O RADAR


Um caso, este de certa gravidade, aconteceu a dois portugueses, um médico e um advogado.

Tinham um catamaran à vela no Clube Náutico situado na praia de Choc Van em Coloane.

Num sábado à tarde, como o tinham feito já por diversas vezes foram passear com a embarcação para além da área em que podiam exercer essa actividade. Navegavam ao largo a sul de Coloane quando um dos estais se partiu.

Devido às fortes correntes e ao vento foram arrastado para o mar alto. Não poderam dar o alerta por não terem aparelho de rádio.

Por volta das seis e meia da tarde, o encarregado do Clube Náutico deu por falta do catamaran e comunicou o caso às autoridades marítimas.

A vedeta “Bravo” em serviço na zona exterior, avisada do ocorrido fez de imediato uma batida em toda a área das águas territoriais de Macau, nada tendo encontrado.

Nesse dia encontrava-me de folga e eram para aí onze e meia da noite quando regressei a casa. Para minha surpresa encontrava-se à minha porta um agente da PMF que me aguardava.

Ao ver-me transmitiu a ordem do Comando para me apresentar com urgência na Divisão mar não referindo o motivo de toda aquela urgência. Como estava de folga só agora regressava a casa para dormir.

Contrariado tive de me fardar e segui no jeep que me aguardava para a Divisão Mar.

Através do Comandante da Divisão fiquei a saber o motivo pelo qual me chamaram com tanta urgência. Teria de se utilizar dos serviços da vedeta “Bravo-1” para irmos à procura dos dois portugueses.





A VEDETA ENTRANDO NO PORTO INTERIOR REBOCANDO O CATAMARAN




Aguardámos ainda a chegada de mais alguns menbros da tripulação, comparecendo sòmente mais dois.
Na companhia do Comandante da Divisão do seu Adjunto e de um Marinheiro Electricista lá seguimos para sul de Coloane por volta das duas horas da madrugada.

Ligámos o radar e girobussula, batendo em seguida toda a zona a sul de Coloane e ilhas chinesas ainda mais para sul, mas não havia sinais do catamaran.

O mar estava calmo, o vento soprava de leste e a visibilidade era boa, mas como ali começava o Oceano Pacífico, por mais que tentassemos avistar o catamaran nada encontrávamos.

Através do Comando em Macau foi solicitado auxílio aéreo às autoridades de Hong-Kong.

O avião disponibilizado para o efeito sobrevoou a vedeta e ficou a saber as áreas já percorridas.

Cerca de meia hora depois de nos ter sobrevoado entrou novamente em contacto conosco comunicando a posição do catamaran. Estava a sessenta milhas náuticas a sul de Coloane e com estas cordenadas para lá seguimos a toda a velocidade.









CHEGADA A MACAU - A IMPRENSA LOCAL, TANTO CHINESA COMO PORTUGUESA DERAM CONTA DO ACONTECIMENTO







Por fim lá avistámos o catamaran e seus dois tripulantes já bastantes desidratados.

Rápidamente os recolhemos para bordo da vedeta amarrando o catamaran à popa e seguindo de imediato para Macau quando eram quase uma da tarde.

Entretanto levantou-se um temporal com vagas bastantes altas e fortes mas a vedeta lá ia sulcando as águas com imensa dificuldade.

A páginas tantas uma enorme e forte vaga embateu no pára-brisas da vedeta partindo o vidro e atingindo a água o quadro eléctrico o que provocou um curto-circuito e incêndio na sala de comando que rapidamente foi extinto.
Como resultado deste incidente ficamos sem radar e sem girobussula estando ainda bem longe de Macau.

Embora não tivesse dormido ou comido, as grandes vagas não me fizeram enjoavam e antes pelo contrário, ia contando anedotas para levantar o moral do pessoal.

O catamaran quando foi encontrado seguia uma rota pouco usada pela navegação o que tornou difícil a sua detecção. Felizmente que tudo correu pelo melhor!









Chegamos a Macau eram aí umas cinco da tarde. No cais uma ambulância aguardava a nossa chegada e os dois portugueses foram de imediado conduzidos ao Hospital Conde de S. Januário para serem assistidos.

O Comissário Adjundo da Divisão Mar desembarcou dando-me entretanto ordens para seguir para a minha zona de serviço.

Recusei acatar estas instruções pois não tinha comida a bordo e ele bem sabia disso. Disse-lhe que só poderiamos sair dali quando todo o pessoal da guarnição tivesse comparecido e tivessemos tomado, tardiamente, a refeição do almoço, o que só veio a verificar-se depois das oito da noite, altura em que seguimos para a zona mas com mais uma noite perdida.










Passada uma semana sobre o corrido eis que os dois portugueses dirigiram-se à Divisão Mar para agradecerem ao Comandante todo o empenho feito para o seu resgate convidando-o para um jantar convite esse extensivo à minha pessoa, o que recusei.

Não tinha sido apenas eu mas toda a tripulação, na altura quatro elementos que no momento contribuiram para o exito da missão. Não tendo estes sido convidados eu também não poderia ir!

Muitos mais episódios passados no mar poderiam ser narrados mas para evitar tornar-me enfadonho ficamos por aqui...

Os meses foram se passando e o ano que me competia andar embarcado chegava ao fim. Este foi o meu último embarque.

Dali saí para Chefiar o Sector das Ilhas, outro novo desafio que se me deparava como poderemos verificar no capítulo respectivo.

Terminava assim a minha actuação como Comandante de uma vedeta da PMF.
A vida passada no mar não é fácil, e é desta forma no cumprimento de missões e não só, que esses homens aprendem o que é a soliriedade, empenho e força e coragem para enfretarem o seu dia a dia.
Com a ajuda de Deus Nosso Senhor, as minhas comissões no mar, embora árduas, decorreram de uma forma positiva, pois tinha sempre a meu lado Deus.

quinta-feira, maio 21

QUINTA-FEIRA DE ASCENÇÃO - DIA DA ESPIGA

Após a ressurreição de Jesus, os discípulos achavam-se confusos, temerosos e um tanto desorientados. Reuniram-se no Cenáculo, o mesmo aposento usado para a celebração da ceia do Senhor. Ali, aguardavam as horas se passarem para ver o que lhes aconteceria.


O evangelho de João, no capítulo 20, nos versos 19 a 25, relata a interessante experiência que os discípulos vivenciaram no dia da ressurreição quando o Senhor se apresentou entre eles. Tomé estava entre seus companheiros e viu Jesus ressurreto e creu.


Estando as portas do aposento totalmente fechadas, Jesus apareceu. Esta cena se repetiu oito dias depois, da ressurreição. João 20:26-31.


Os outros evangelistas apresentam alguns lances mais desse período, que de acordo com livro de Atos, capítulo 1:3 foi de 40 dias. Esse espaço curto de tempo Jesus usou especialmente para confirmar a fé dos discípulos mais chegados e passar-lhes instruções especiais quanto ao que deveriam fazer após Sua partida.


E foi assim que achando-Se a um passo de volta ao Seu trono celestial, Jesus deu novamente aos discípulos a grande comissão evangélica, registrada em Marcos 16:15: "Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda a criatura".


Esta comissão Jesus havia transmitido aos Seus discípulos quando juntos haviam estado no Cenáculo. Porém um maior número de Seus seguidores deveria ouvir isso também.


Desta maneira, num lugar da Galiléia se realizou esta solene reunião. Em I Coríntios 15:6 lemos: "E, depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos." I Coríntios 15:6


Para esta reunião, o próprio Cristo, antes de Sua morte, designara o tempo e o lugar. (Mateus 26:32). O anjo no sepulcro, relembrara os discípulos de Sua promessa de os encontrar na Galiléia. (Marcos16:7).


Esta notícia se espalhara entre os seguidores do Mestre e com vivo interesse aguardavam esse encontro. Vindos de várias direções, dirigiam-se ao lugar da reunião.


Reunidos em pequenos grupos na encosta da montanha, buscavam saber tudo quanto era possível dos que tinham estado com Jesus após a ressurreição. Os 11 discípulos testemunhavam do que haviam visto e ouvido. Tomé lhes contava a história de sua incredulidade e dizia como suas dúvidas haviam se dissipado.


Então achou-se Jesus no meio deles. Em Suas mãos e pés divisaram os sinais da crucifixão. Seu semblante irradiava uma glória especial, esta foi a única entrevista com muitos crentes, depois de sua ressurreição.


As palavras de Cristo na encosta da montanha foram o anúncio de que seu sacrifício em favor do homem era pleno, completo. As condições para expiação haviam sido cumpridas.


Concluíra a obra para a qual viera ao mundo. E agora achava-se a caminho de volta ao trono celeste.


E então revestido de ilimitada autoridade repetiu a todos a comissão dada aos 11 discípulos: "portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado; e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." Mateus 28:18 e 20


Cristo declarou positivamente a natureza do Seu reino. Disse-lhes não ter sido seu desígnio estabelecer no mundo um reino temporal, mas sim espiritual. Não haveria de governar como rei terrestre no trono de Davi.


Cristo mostrou-lhes que tudo quanto havia se sucedido estava predito nas Escrituras através dos ensinos dos santos profetas. Cristo ordenou que os discípulos iniciassem a obra em Jerusalém.


Mas, não deveriam parar aí. Deveriam levar a mensagem a todos os lugares até os confins da Terra. Prometeu-lhes o poder do Espírito Santo, para que pudessem fazer, em nome de Jesus os mesmos sinais e maravilhas.


Depois desta grande reunião, Jesus estava pronto para as despedidas. Os discípulos já não relacionavam mais a Jesus com a cruz e o sepulcro. Para eles, Cristo era agora um Salvador vivo.


Como local de Sua ascensão, Jesus escolheu o Monte das Oliveiras, tantas vezes consagrado por Sua presença. Com os discípulos, dirige-se então para aquele local. Com as mãos estendidas em posição de bênção, Jesus ascende lentamente dentre eles.


Lucas narra assim a ascensão de Jesus: "E quando dizia isto, vendo-O eles, foi elevado às alturas e uma nuvem O recebeu, ocultando-O, a seus olhos. E estando com os olhos fitos nos Céu, enquanto Ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões de branco, os quais lhe disseram: "Varões galileus, porque estais olhando para o Céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no Céu, há de vir assim como para o Céu O vistes ir." Atos 1.9-11


Os discípulos voltaram para Jerusalém e já não mais se lamentavam, antes sim, estavam cheios de louvor e gratidão a Deus. Com regozijo contavam a maravilhosa história da ressurreição de Cristo e de Sua ascensão ao Céu.


Não tinham mais qualquer desconfiança do futuro. Sabiam que Jesus estava no Céu e que continuariam a ser objeto de seu compassivo interesse.


Jesus retorna ao Céu vitorioso. Seu sacrifício foi aceito pelo Pai. Satanás está derrotado. É um inimigo vencido. O caráter de Deus outrora manchado por suas acusações infundadas, agora está plenamente reivindicado. Todo o Universo tem convicção de que Deus é Santo, e Sua Justiça e Amor são infalíveis.


Jesus carregará para sempre as marcas nos pés e nas mãos que mostram o Seu sofrimento e morte para a Salvação do ser humano.


Este é um laço que jamais se partirá. Jesus disse: ". . . Eu subo para meu Pai e vosso pai, meu Deus e vosso Deus." João 20.17


A família no Céu e a família na Terra, são uma só. Para o nosso bem Jesus subiu ao Céu. Para o nosso bem Ele vive.


Que mensagem! Que esperança!


Amigo querido: Jesus veio aqui, morreu por nós, ressuscitou e foi para o céu.


Os discípulos o viram subindo e pela graça de deus nós poderemos vê-Lo voltando.


Quando Ele vir, iremos para o Lar.

(Extraído de Jesusvoltara)





Para o consenso da maioria dos cristãos, a doutrina da Ascensão afirma que o corpo de Jesus de Nazaré, depois de quarenta dias da sua Ressurreição, na presença das testemunhas dos apóstolos, ascendeu aos céus onde se encontrou na presença de Deus Pai, não só em espírito, mas também em sua pessoa humana (corpo e alma). A documentação histórica é narrada nos evangelhos de Marcos 16:19, Lucas 24:50-51, Atos 1:9-11, e Efésio 4:7-13. Este acontecimento é afirmado pela liturgia cristã, no Credo apostólico e no Credo de Nicéia.

Lucas 24:50 Então, os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou.


Lucas 24:51 Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu.


Lucas 24:52 Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo;


Lucas 24:53 e estavam sempre no templo, louvando a Deus



Hoje assinala-se o Dia da Espiga. No calendário cristão, comemora-se a Ascensão de Jesus Cristo e, tradicionalmente, colhe-se a espiga de trigo para simbolizar a bênção dos primeiros frutos.


Nalgumas regiões, as plantas colhidas não se resumem ao trigo, compondo-se ramos que incluem o malmequer, a papoila ou o ramo de oliveira e que devem ser guardados ao longo de um ano.A simbologia de cada planta é a seguinte:


Espiga – pão,


Malmequer – ouro e prata,


Papoila – amor e vida,


Oliveira – azeite e paz,


Videira – vinho e alegria e


Alecrim – saúde e força.


(Extraído do Blog Alentejanando)
Ritual religioso e pagão de mão dada. Ascensão de Jesus e da fertilidade. Benziam-se os primeiros frutos e estreavam-se as gentes nas primeiras festas campestres do ano. Comungava-se a festa popular da farta merenda e da libido do bailarico com a natureza. O desabrochar do alento primaveril, a isso convidava. Rematava-se o dia com a oferenda ao lar de um ramo florido a simbolizar a fartura e a harmonia para a família.

No Alentejo: espigas de trigo, ramo de oliveira, papoilas e malmequeres campestres amarelos e brancos.
No Ribatejo, mormente, ao longo do vale do Tejo: espigas de trigo, ramos de oliveira, folhas de vide e flores campestres. O ribatejano a condensar com nitidez a trilogia alimentar mediterrânica: pão, azeite e vinho. Os dois a sintetizarem uma esperança renovada de um bom ano.

Parece-me ser este o dia do ano que reúne a maioria dos feriados municipais. Certamente, não será coisa do acaso!
=====================================autor descohecido===============================
Esta Quinta-Feira de Ascenção me faz recuar no tempo, em que, vivendo em Évora, ia para o campo fazer um piquenique e apanhar as plantas que compariam o ramo, isto na companhia da pessoa que mais amei na vida.
Um desses ramos o oferecia a minha Querida e Estimada Mãe, que o colocava na porta de acesso à varanda.
Anos esses que jamais voltarão, mas se refazem no pensamento e é com nostalgia que os recordo.


quarta-feira, maio 20

REFUGIADOS VIETNAMITAS EM MACAU

ESTA EMBARCAÇÃO VIETNAMITA, QUE HOJE SE ENCONTRA EXPOSTA NO MUSEU MARÍTIMO DE MACAU, FOI APANHADA PELO SIGNATÁRIO NO ANO DE 1990, JUNTO DO FAROL DE KA HO, TRANSPORTANDO 12 PESSOAS.











Na altura era Subchefe e aguardava a chegada dos meus camaradas para ser rendido quando o telefone tocou.



Era o padre Nicósia, encarregado da leprósaria de Ká-Ho, informando que nas imediações da mesma, tinham desembarcado 25 pessoas, sendo 14 adultos e 11 crianças.



Telefonámos para o Comando a dar conhecimento do caso solicitando ao mesmo o envio de várias carrinhas para o transporte dos presumíveis refugiados vietnamitas para Macau.



Após ter efectuado o telefonema compareceu o Subchefe que me vinha substituir no Posto.



Continuei por ali fiquei até concluir o trabalho e pouco depois compareciam várias carrinhas, acabando por seguir numa delas para Ká-Ho.



Quando chegámos a este local deparámos com um amontoado de gente o que me comoveu profundamente.



Algumas pessoas falavam flutuentemente inglês o que permitiu saber um pouco mais da sua história.



Abandonaram o Vietnam do Sul numa embarcação de pesca levando apenas mapas, termos, binóculos, etc. arriscando a própria vida ao partirem clandestinamente.



Chegaram ao Mar do Sul da China onde a ventania muito forte e agitadas ondas
por pouco não afundaram a embarcação.







Graças ao auxílio de uns pescadores chineses que encontraram pelo caminho, conseguiram desembarcar na praia de Ká-Ho em Coloane.



Estes refugiados foram os primeiros a aportar a Macau ficando no Território pelo período de oito meses.


Por essa altura já eram 27 pois tinham nascido na maternidade do Hospital “Conde de S.Januário” duas crianças do sexo feminino. Por casualidade a minha esposa foi a enfermeira-parteira que assistiu ao parto das mesmas.



Seis desses refugiados seguiram para o Canadá e sete para os Estados Unidos, para onde seguiram também os restantes no dia 23 de Fevereiro de 1978, com a coloboração da UNHCR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados).



Passado um mês sobre a primeira chegada de refugiados vietnamitas eis que um outro grupo constituído por 122 indivíduos aportava a Macau com 40 homens, 30 mulheres e 52 crianças






A autêntica odisseia deste grupo por um pouco tinha um trágico epílogo, quando o barco em que seguiam, com cerca de 20 metros de comprimento, esteve à mercê de ondas altas, ventos fortes e chuva torrencial, com o motor avariado, seis dias depois de ter partido para Hong-Kong de Quang Ngai, cidade a cerca de 120 milhas de Danang.



O líder do grupo e médico de medicina tradicional chinesa Duang Thoung Hiep, de 44 anos, contou-me a tragédia e as longas horas de angustia e martírio passadas pelo grupo:



“Na altura não sabiamos bem onde estavamos e não tínhamos comido nada por mais de vinte e quatro horas apesar de termos arroz a bordo”.



Explicando a situação disse: “o barco estava cheio de água e a missão de todos era de esvazia-lo o mais rápido possível”. Na altura segundo Duang, “passaram por nós dois juncos tendo os seus tripulantes informado sobre um ciclone tropical que estava a caminho”.



Acrescentou que ele e os seus companheiros tentaram transmitir aos homens dos juncos que não podiam navegar e que era urgente uma ajuda pois caso contrário seria inevitável o seu naufágio.



“Os dois juncos afastaram-se do local possivelmente porque os pescadores não conseguiram ouvir o nosso apelo” continuou Duang.



Quando todas as esperanças estavam praticamente dissipadas e deitadas por terra, com alegria viram os juncos reaproximarem-se, estando as suas velas cada vez mais perto.





Os pescadores chineses apreenderam-se da nossa verdadeira situação e voltaram para nos salvar” concluíu Duang.



Os dois juncos acabaram por rebocarem o sinistrado barco vietnamita por umas cinco horas trazendo-o para Macau.



Em outra ocasião recolhemos um refugiado vietnamita, que tinha sido piloto aviador com treino em jacto-bombardeiros tirado na Base Aérea de Doldlop, Texas.



Tratava-se do segundo-tenente Tran Uy-Nam de 34 anos de idade, que não hexitou em afirmar na altura a existência de dezenas de campos de concentração no Vietname, com cerca de 800 a 1000 prisioneiros cada.



Estes foram os primeiros grupos de vietnamitas que aportaram a Macau. Seguiu-se depois uma autêntica avalanche que se prolongou por vários anos.



Passaram à história como “Boat Peopel”, invadindo quase todos os países da Asia para além de Macau e Hong-Kong, que não escaparam a estas sucessivas levas de refugiados.



Houve ocasiões em que ficaram completamente repletos de vietnamitas o campo de refugiados em Ká-Ho, o Quartel da Ilha Verde, o antigo Hospital de ‘S.Rafael e a Ponte Cais da Taipa, sendo até improsivadas umas barracas na “Doca D.Carlos I” para os abrigar.



Rápidamente o Governo de Macau se deu conta que não tinha possibilidades de dar aos refugiados o tratamento necessário e adequado, apesar dos seus “cofres” se irem esvaziando, devido aos onerosos encargos desta operação humanitária.







O Alto Comissariado para os Refugiados das Nações Unidas também não tinha mãos a medir para enfrentar esta alarmante situação.



Chegou então o momento em que foi determinado o fechamento dos campos de refugiados em Macau, não se aceitando mais exilados a partir dessa altura. As embarcações que chegassem a Macau seriam rebocadas para fora das suas águas Territoriais.



Numa ocasião em que estava de serviço ao Comando, atracou à Ponte número 1 uma embarcação com refugiados vietnamitas.



Tentou-se rebocá-la para fora das águas de Macau mas os refugiados eram renitentes, dizendo que prefeririam afundar ali mesmo a embarcação a ter de seguir para fora de Macau.



O Comandante determinou nos juntássemos à vedeta destacada para rebocar a embarcação a fim de lhe dar apoio.
Após um longo diálogo com os vietnamitas e depois de terem sido abastecidos de água, vivéres e gasóleo, conseguimos finalmente convencê-los a proseguirem viagem.



Prometemos que os levaríamos até junto de Hong-Kong onde seriam recolhidos pelas respectivas autoridades marítimas e passado pouco tempo, deveriam seguir para o Canadá ou Estados Unidos.



A viagem decorreu com toda a normalidade e só largámos o reboque já com Hong-Kong à vista.



Satisfeitos com a nossa cooperação os refugiados agradeceram vivamente, rumando em seguida para Hong-Kong.
Esta missão foi a pioneira no reboque de embarcações vietnamitas para fora das águas Territoriais de Macau. Milhares se seguiram, tendo participado ainda em centenas de outras operações similares, no comando de uma vedeta da classe “Bravo”.



O destino reservou-me esta difícil e humilde missão que humana e profissionalmente a desempenhámos!



Para se ter uma ideia mais concisa sobre os números de refugiados que aportaram a Macau e Hong-Kong, damos o seguinte mapa:

1978/79 1980/84 1985/90 1990/95
MACAU
4 333 2 777 17 1
HONG-KONG
79 906 28 975 59 518 27 434

Como referimos, em Macau a partir de meados dos anos oitenta, não se aceitaram mais refugiados, sendo as suas embarcações rebocadas para fora das águas territoriais.



Posteriormente estes exilados eram que procuravam sobretudo enviá-los para os Estados Unidos, Canadá ou Austrália.


The Government's official policy since 1982 has been to refuse asylum to all Vietnamese boat people arriving in Macau waters. With the approach of Macau's and Hong Kong's reversion to China, Vietnamese boat people prefer to travel further north to Japan and Korea. Only three or four boat people remain in Macau.








O ARTICULISTA APANHOU DUAS LEVAS DE REFUGIADOS VIETNAMITAS DURANTES AS DUAS COMISSÕES DE SERVIÇO QUE DESEMPENHOU COMO COMANDANTE DA VEDETA DE FISCALIZAÇÃO "BRAVO 1".






TRAGÉDIA COM VIETNAMITAS


Tinha sido uma manhã muito trabalhosa, logo ao entrar de serviço na vedeta “Bravo 1”, havia duas embarcações com refugiados vietnamitas que era necessário rebocar para fora das águas de Macau.



O tempo permitia esse reboque e como tal iniciámos o trabalho. Largámos o reboque era já quase meio dia, tendo as embarcações ficado bem perto de Hong-Kong onde em breve deveriam ser localizadas pelas vedetas da Polícia Marítima deste Território.



Regressámos e fundeámos defronte da praia de “Hac-Sa”, ali se encontrando já outra embarcação com vietnamitas a quem foi dado o apoio necessário, e depois fomos almoçar. Tencionávamos rebocá-la depois do almoço.



Entretanto outra embarcação com mais refugiados vietnamitas, vinda das ilhas defronte de Macau, tencionava chegar à praia.



Cortamos-lhe a manobra e obrigámos a que fosse amarrada à vedeta. Trazia umas oito pessoas. A primeira embarcação tinha 49.



Passámos estes oito indivíduos para a outra embarcação, sendo assim mais fácil fazer o reboque e quando tencionávamos seguir viagem, eis que aparece o Subchefe “Bali”, pilotanto um bote rápido e trazendo a reboque outra pequena embarcação com mais 12 refugiados vietnamitas.



Como este barco parecia ser mais novo, deixámos a bordo dois indivíduos para o pliotar, enquanto os restantes 10 se juntavam à primeira embarcação, que ficou com um total de 66 pessoas, entre homens, mulheres e crianças. Passámos os cabos e levámos as três embarcações a reboque.



Na totalidade efectuávamos dois reboques, a primeira embarcação como referimos com 66 pessoas, a segunda com duas e a terceira vazia.



O mar encontrava-se sereno mas o vento leste começava a soprar razoavelmente. Já bem longe das nossas águas, partiu-se o cabo de reboque da segunda para a terceira embarcação ficando a mesma à deriva.



Não parámos para a recolher pois isso seria feito no regresso. Mais adiante a segunda embarcação, devido a má condução da mesma, virou-se, forçando a primeira também se voltar.



O pessoal da vedeta que estava a postos, imediatamente cortou os cabos que ligavam à embarcação e rápidamente lançaram a rede de assalto. Prontamente todos os refugiados foram recolhidos do mar e passados para bordo da vedeta.
Do acidente foi dado conta ao Comando, que ordenou o regresso a Macau com os vietnamitas. Tivemos de acatar a ordem, embora estivessemos já mais perto de Hong-Kong.



Todo o espaço interior da vedeta ficou repleto de vietnamitas e a certa altura um deles veio ter comigo dizendo-me que havia um bébé que se encontrava mal. Fui vê-lo nos braços da mãe que tinha acabado de o amamentar. O seu rosto estava ficado azulado.



Fizemos-lhe os primeiros socorros mas nada adiantou. Solicitámos uma ambulância para a Doca D.Carlos onde iriamos atracar e a toda a velocidade seguimos para Macau.



Ali chegados, um tio do bébé seguiu com ele para o hospital e mais tarde viemos a saber que infelizmente o bébé falecera.
O caso foi entregue à Polícia Judiciária, tivemos de fazer um auto de notícia do ocorrido. A autópsia veio a apurar que o bébé não falecera por afogamento mas por causa do leite que tinha tomado.



A embarcação ficou em Macau por mais uns dias, tendo-se realizado o funeral do bébé. Mais tarde um colega meu, noutra vedeta, rebocou a embarcação e os referidos refugiados para fora das águas de Macau.





Terminava assim de forma trágica o reboque de vietnamitas para fora das águas de Macau.



Em outra ocasião houve um Agente que serviu de parteiro e felizmente o parto decorreu sem anomalias, tendo nascido um perfeito bébé do sexo masculino.





Pelo Despacho n.º 10/SATOP/97, publicado no Boletim Oficial de Macau n.º 5/97, II Série, de 29 de Janeiro, foi titulado o contrato de concessão gratuita, por arrendamento, de um terreno com a área de 9 232 m2, situado na ilha de Coloane, antigo Centro de Refugiados Vietnamitas de Ká-Hó, para aproveitamento com a construção de um Centro de Formação e Acolhimento de Jovens, a favor dos Salesianos de Dom Bosco (Sociedade de S. Francisco de Sales), entidade de carácter permanente religioso, canonicamente erecta na Diocese de Macau, nos termos e para os efeitos do Despacho n.º 10/SAAEJ/96, publicado no Boletim Oficial de Macau n.º 15/96, II Série, de 10 de Abril.



O ARTICULISTA NO ANO DE 1989 SENDO CONDECORADO COM A MEDALHA DE DEDICAÇÃO POR UM REPRESENTANTE DO GOVERNO DE MACAU.




- CONSIDERANDO-SE TRATAR-SE DUM GRADUADO POSSUIDOR DE SÓLIDOS CONHECIMENTOS PROFISSIONAIS E GRANDE LEALDADE, ALIADOS A ELEVADO GRAU DE DISCIPLINA, TEM DADO O MELHOR DE SI PRÓPRIO À POLÍCIA MARÍTIMA E FISCAL, MUITAS VEZES COM SACRIFÍCIO DAS SUAS MERECIDAS HORAS DE DESCANSO. -


1. MEDALHA DE CAMPANHA DE COMISSÃO DE SERVIÇO NO ULTRAMAR



2. MEDALHA DE MÉRITO PROFISSIONAL



3. MEDALAHA DE PRATA DE ASSIDUIDADE DE SERVIÇO NO ULTRAMAR



4. MEDALHA DE DEDICAÇÃO



5. MEDALHA DE DEDICAÇÃO E MÉRITO




RECEBEU O SIGNATÁRIO DO GOVERNO DE MACAU E DA CORPORAÇÃO DOS SERVIÇOS DE MARINHA E DA POLÍCIA MARÍTIMA E FISCAL ALGUNS LOUVORES, ELOGIOS, MENÇÕES E APREÇO E DUAS CONDECORAÇÕES SENDO A MAIS SIGNIFICATIVA A MEDALHA DE DEDICAÇÃO E MÉRITO.



-CONSIDERANDO OS SÓLIDOS CONHECIMENTOS TÉCNICO-PROFISSIONAIS, INVULGAR DEDICAÇÃO AO SERVIÇO E ELEVADO ESPÍRITO DE MISSÃO SEMPRE INEQUÍVOCAMENTE REVELADOS;



CONSIDERANDO A SUA FORTE PERSORNALIDADE E ELEVADA NOÇÃO DO DEVER QUE, SERVIDAS POR UM ESPÍRITO DISCIPLINADO E DISCIPLINADOR, CRÍTICO, FRANCO E LEAL, LHE TÊM PERMITIDO DESEMPENHAR A SUA ACTIVIDADE, DE FORMA NOTÁVEL, COM MELHORIAS NÍTIDAS PARA O SERVIÇO, MAIS PRESTÍGIO E DIGNIDADE PARA A CORPORAÇÃO E BENEFÍCIOS PARA A COMUNIDADE.



SE CONCEDE, NOS TERMOS DO ART. 5. PAR. 2. ALÍNEA a) DO DECRETO-LEI 42/82/M, de 3 de SETEMBRO , A MEDALHA DE MÉRITO PROFISSIONAL.



Gabinete do governador, em Macau, aos 27 de Julho de 1991.



O GOVERNADOR



VASCO ROCHA VIEIRA







O PADRE LANCELOTE RODRIGUES, REPRESENTANTE EM MACAU DO ALTO COMISSARIADO PARA OS REFUGIADOS.


Padre em Macau



Homem normal no caminho do bem



Bebe, canta e toca o coração de quem o conhece. Em Macau, onde vive, o padre Lancelote Rodrigues é, aos 85 anos, visto como um santo na terra.



O padre Lancelote Rodrigues 'é como um pai para todos'. Mas, se lhe disserem isso, sentir-se-á 'muito humilhado'. 'Não me sinto preparado para desempenhar essa tarefa. Preferia que dissessem que sou muito amigo de toda a gente'.



Há 73 anos em Macau, é visto como 'um missionário do Bem e pessoa sempre feliz'. Ama a vida, irradia bondade – 'se virem em mim um rapaz bondoso fico grato mas às vezes também me zango', esclarece. Para muitos, é mais que bom, é exemplo vivo de santidade: 'Isso não, é demasiado, santos estão no Céu e eu estou na Terra. Deixem-me ficar por aqui ainda algum tempo para ser um pouco mais pecador do que os outros'. Ultrapassada a modéstia, Lancelote reconhece ter 'feito muitas obras de assistência social'.



O padre pertenceu a uma organização – a Catholic Relief Services – através da qual conseguiu construir casas económicas, creches, clínicas médicas, escolas, um cine-teatro e um centro católico.



CIA PROTECTORA



Há quem diga que era próximo da CIA. 'Eles eram os protectores dos pobres, pois deram-nos muito dinheiro para os refugiados', comenta, não negando que 'era muito ligado ao governo americano'. 'Sempre nos abriu muitas portas. De modo que aproveitávamos. Eles tinham que saber a posição, a situação e a política da China, pelo que mandava muitos relatórios para o consulado americano de Hong Kong. Fazíamos isso muito abertamente. Às vezes os elementos da CIA vinham ter comigo. Falávamos, tomávamos as nossas bebidas, dávamo-nos bem. Representante da CIA nunca fui porque isso é uma coisa política', esclarece.



O amigo e arquitecto Carlos Marreiros enfatiza que 'o padre Lancelote é louvado por toda a gente, desde o mais pobre até governantes e embaixadores, tendo sido o verdadeiro cônsul-geral dos EUA em Macau nos últimos 40 anos.'



Mas recusa a palavra informador. 'Isso é que não. Ele está muito acima disso'.



AMAR 150 MIL



Aos 22 anos decidiu ser padre. 'Fiz bem, até porque os refugiados chegaram por altura da minha ordenação. Acontece que o bispo daquele tempo, Dom João Ramalho, não acreditava na minha vocação. Mandou-me tratar dos refugiados, tarefa que cumpri durante 14 anos. Tratar de pessoas que tinham perdido tudo foi uma experiência e educação formidáveis'.



Sobre a sua vida entre os Jesuítas, fala de uma disciplina dura mas 'esmerada'. 'Ao princípio víamo-los como uns tormentadores, mas quando saímos como padres, agradecíamos', confessa, não escondendo que 'recebia muitas torturas. Tínhamos que, durante horas, ficar a olhar para as paredes.


E também apanhávamos bofetadas e castigos corporais. Tive um castigo porque fui apanhado a fumar. Colocaram a minha carteira no meio de um corredor de 80 metros de comprido.' Desses tempos, lembra ainda ter escrito poesias às raparigas e de na procissão olhar para um lado e para o outro para ver 'onde estavam as mais bonitas'. Lancelote acredita que só não foi expulso graças à voz de soprano. 'Fazia falta no coro'.



Envelheceu mas não perdeu o espírito de outsider: 'Estou contra as directivas da nossa diocese, pois devíamos ser mais activos. É por isso que não me dou bem e estou de fora'. No mesmo tom, crítico, fala da China – 'onde devia haver mais abertura e menos corrupção'. 'Por exemplo, para realizarem os Jogos Olímpicos açambarcaram os terrenos sem dar qualquer compensação. O regime chinês não protege nem acalenta o seu povo'.



Lancelote Rodrigues gostaria que, 'daqui a 50 anos, fosse recordado como um homem alegre, um bonacheirão que gostava dos pobres e de uísque.' 'Recebi uma medalha das mãos da rainha de Inglaterra onde me chamam Sir Lancelote. Mas Sir Lancelote é o da Távola Redonda. Eu sou o Lancelote da garrafa redonda'.



VOZ DE BAIXO-BARÍTONO AFINADA COM UÍSQUE



A personalidade do padre dos pobres reparte-se entre a bondade – praticada de forma contínua junto de milhares e milhares de refugiados, pobres entre os mais pobres – e a atitude efusiva do ‘bon vivant’, aquele que é capaz de apreciar os prazeres da boa mesa, da música, da amizade e da alegria. Nos actos de missionário, onde é capaz de amar os mais necessitados e por eles dar tudo, jamais transpareceu o seu outro lado – folgazão, bom garfo, sempre bem-disposto, dono de uma potente voz de baixo-barítono. Lancelote Rodrigues não recusa emborcar dois deditos de um bom uísque antes de entoar algumas belas canções na companhia dos amigos.


Como diz o ‘Tao Te Qing’, de Lao Tzu, 'acabada a obra, o Santo (o homem Superior) afasta-se'. 'Nele, todos os dias emerge o Santo e, todos os dias, acabada a obra desse dia, afasta-se e enche de alegria o coração dos muitos amigos que o amam', refere o amigo e artista António da Conceição Júnior.



DESISTIU DO CASAMENTO



Padre Lancelote pensou desistir da sua vocação. Queria casar com uma rapariga 'muito sensata e boa'. Só desistiu porque 'gostava de ajudar os outros, principalmente os pobres'. 'Via tanta pobreza no campo de refugiados que me afeiçoei a eles. Se casasse isso perdia-se. Afinal, em vez de amar uma, podia amar 150 mil', conta.



OBRA EXEMPLAR NA CHINA JUNTO DAQUELES QUE NADA TÊM



Leonor Seabra, professora da Universidade de Macau e biógrafa do padre Lancelote Rodrigues, enaltece "a acção desempenhada pelo prelado no interior da China, junto de populações absolutamente carenciadas, às quais proporcionou melhores condições de vida. Graças aos inúmeros contactos, estabelecidos ao longo de muitos anos de actividades de ajuda humanitária, criou uma obra a todos os tí-tulos exemplar", reconhecida até pelo anterior Papa, João Paulo II, que o recebeu.



NASCIDO EM MALACA DE PAI PORTUGUÊS



Lancelote Rodrigues nasceu em Malaca, filho de pai português, e foi para Macau aos 12 anos. Decidiu aprender o português para poder estudar Filosofia e Teologia. Aos 22 decidiu ir para padre.



José Manuel Simões


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ESTA GENTIL E AFÁVEL PESSOA DESEMPENHO UM PAPEL IMPORTANTÍSSIMO AQUANDO DA PERMANÊNCIA DOS REFUGIADOS VIETNAMISTA EM MACAU.

What do you know about Canada?", visa officer Nadia Gray asked the Vietnamese refugee family. They were sitting at a make-shift desk at the refugee camp on Coloane Island while rows of other applicants waited just out of ear-shot for their own interviews and chance to move to Canada.




The parents put their heads together and discussed their answer. "Well, madame, we don't know very much but we know that there is a tree in Canada that Canadians love very much. We don't know the name of the tree or why it is so loved. " They noticed a picture of a Canadian flag. "That is the tree, madame. Perhaps if you accept us we will learn a great deal about Canada and we will try to love your tree."



This family was just one of the approximately 3,000 Vietnamese boat people who immigrated to Canada from Macao between 1979 and 1992. Unlike the huge, impersonal refugee camps in Hong Kong, the Vietnamese boat people who landed in Macao were very much part of a community. Under the paternal but strict administration of Father Lancelot, Father Alexander and other members of the Catholic Church, the Vietnamese refugees helped run their camps and strove to live up to a code of conduct that made life in the camps more bearable.



Years later in recalling the interview and the two little boys who played under her desk during this important interview, Gray hoped that the family had found in Canada a welcoming home and that they had learned to love our tree.


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Nascida num campo de refugiados



Tiffiniy Cheng tem as suas raízes familiares na província chinesa de Guangxi e no Vietname. Os seus avós paternos foram vítimas da grande epidemia de fome dos anos 50, quando Mao Zedong lançou o Grande Salto em Frente, que teve efeitos desastrosos para a economia chinesa. A família emigrou para o Vietname, onde o pai de Tiffiniy viria a casar com uma jovem daquele país.




Com a chegada dos comunistas ao poder, os Cheng fizeram como milhões de outros vietnamitas e lançaram-se à aventura, a bordo de uma pequena sampana. Alguns meses depois estavam temporariamente alojados no campo de refugiados de Ka Ho, em Coloane, onde Tiffiniy nasceu em Fevereiro de 1980.




Aí o Padre Lancelote Rodrigues acabou por encontrar-lhes um novo destino, como fez com milhares de outros refugiados que encontraram em Macau o seu primeiro porto de abrigo. Em Novembro de 1981, a família mudou-se para Worcester, no estado de Massachusetts, onde continua a viver até hoje.




Educada num ambiente familiar predominantemente chinês, onde a música e outras manifestações da cultura de Hong Kong estiveram sempre presentes, Tiffiniy não descansou enquanto não voltou à sua terra natal.




No ano 2000, depois de concluir o curso, esteve em Macau, visitou a biblioteca do IACM, folheou jornais antigos e procurou dessa forma reconstruir um passado de que os pais só lhe falam a espaços. Depois voltou com a família, numa viagem ainda mais emotiva. Tiffiniy diz agora ao PONTO FINAL que conta vir de novo a Macau para prosseguir na busca das suas raízes. Até lá, vai continuar atenta ao mundo confuso que a rodeia – em especial, a tudo o que lhe soar a injustiça.


Muitos mais factos se passaram com os refugiados vietnamitas, mas por essa altura o articulista encontrava-se em portugal no gozo de licença graciosa, muito ficou por contar, relatando apenas alguns, dos milhares de casos em que interviu directamente.