o mar do poeta

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quinta-feira, abril 24

O MEU 25 DE ABRIL








http://fuzod.blogspot.com/2012/04/25-de-abril-sempre.html



Após 10 anos em serviço em Macau, fui a Portugal, no mês de abril de 1974, na conpanhia de minha esposa e dos filhos, com idades de 5 e 4 anos.

 Chegámos a Lisboa no dia 5 de abril, era a primeira vez que minha esposa e meus filhos iam a Portugal, ficamos em casa de uma tia em Lisboa, porque e segundo ela, eu ia muito magro e não queria que minha mãe assim me visse, como tal pela capital ficamos, no dia 20 fomos para casa de um primo que vivia na Amadora e por lá ficamos uns dias.

 Só demos conta da Revolução dos Cravos na manhã do dia 25, e de uma forma bem pelicular.

 Estava ainda nós dormindo quando ouvi um choro muito forte vindo da sala, não quis acordar a esposa e me levantei para saber o que se passava. Na sala estava a esposa de meu primo vestindo um baby dooL, chorando e dizendo bem alto, Ai o meu querido marido, ai o meu querido marido. Dirigi-me a ela para saber o que se passava e ela sem mais demoras a mim se agarrou de um forma brutal indo os dois estatelar-mos no chão e ficado eu sobre ela.

 Entretanto a minha esposa deve ter ouvido o barulho e veio à sala saber o que se passava, tendo-nos visto naquele estrelau.

 Levantei-me e contei para minha esposa o que se tinha passado, e os dois com bastante esforço lá conseguimos levantar a prima do chão, cujo estado psicológico era bem garve.

Fomos buscar um copo de água e lhe demos a beber e lhe perguntamos o que se passava.

Então ela, já mais calma nos informou que tinha avido uma revolução militar, e que seu marido, funcionário da Alfandega, pertencendo à legião portuguesa,  tinha ido trabalhar e ela estava apreensiva sobre o que lhe podiam fazer.

Abrimos a televisão e tomados conta do que se estava a passar, e por ali ficamos durante todo o dia. Da parte da tarde o meu primo regressava a casa, informando que o seu local de trabalho tinha sido ocupado pelo militares e nada estando lá a fazer regressou a casa. A esposa do meu primo o cobiu de beijos e fez uma espactúclo como sempre à sua bela maneira, ela era e continua a ser assim.

Eu a esposa e filhos por lá ficamos ainda mais uns dias já que as entradas e saídas de Lisboa estavam interditas.

Entretanto iamos acompanhando as notícias as notícias através da televisão, saimos algumas vezes, uma delas para visitar o jardim zoológico, na companhia dessa nossa prima.




 

Só no dia 30 de abril, quando soubemos que havia transportes para Évora, saimos da Amadora, chegados a Évora deia a conhecer à minha mãe a minha esposa e os nétinhos, já que o restante pessoal tinha ido todo ele nos esperar ao aeroporto da Portela.

Ficámos somentes uns dias em Évora, fomos para Badajoz, passando por casa de uma minha irmã que vivia e vive em Elvas, seu esposo nos acompanhou até à estação de caminho de ferro, compramos os bilhetes, minha esposa e filhos subiram para a carruagem quando eu fui abordado por um agente de polícia para lhe mostrar o passaporte, acto seguinte o agente me informou que não podia sair do país em virtude de ser agente de polícia, devolveu-me o passaporte e não acatei a sua ordem, subindo para a carrugem’quando a mesma já estva em andamento e me tendo juntado à esposa e aos filhos, nada mais de anormal se passou.

Nós ficamos em Badajoz até meados do mês de Maio quando regressamos a Évora onde as coisas já estavam mais calmas.

Durante a nossa estada em Évora tivemos conhecimento da reforma agrária e a forma como muitas propriedades foram tomadas.

Um amigo de infância fazia parte das tais brigada um dia mandou parar a viatura de meu irmão mais novo, este lhe perguntou o que desejava, eram amigos e a resposta dele foi, aqui não há amigos, sai do carro para eu o revistar e assim foi, nada de anormal tendo encontrado, depois passou revista corporal e disse estás com sorte senão ias já de cana.

Durante os cinco meses que estivémos em Portugal no gozo de licença graciosa, aproveitamos para conhecer Portugal tendo ido ao norte do país e em Braga me senti como se estivesse no Faroeste americano, e quase ia entrando em vias de facto com um tipo que nos preseguia.




                   Foto tirada em casa de minha tia materna, Avelina, no Alandroal

Levei minha mãe a conhecer a Serra da Estrela, Fátima e muitos outros locais, e como não podia deixar de ser, visitar os nossos familiares maternos no Alandroal.



A minha esposa e uma nossa cunhada em Fátima

 
De visita a Castelo Branco
 

Em Lisboa em plena rua do Ouro e à hora de almoço houve dois sujeitos que me tentaram assaltar, mas consegui travar as suas intenções, o caso foi visto por cetenas de pessoas mas nenhuma se abordou para ajudar ou saber o que estava a passar..

Farto de estar em Évora um dia pequei na esposa e nos filhos e fomos de combóio para Tavira, para tal tinha comprado bilhetes de primeira classe, mas ao entrarmos na automotora que fazia a viagem de Évora para a casa Branca, os lugares de primra classe tinham sido ocupados por individuos com bilhetes de terceira classe, e nos ofenderam dizendo que os burgueses tinham acabado que nos sentassemos no chão ou então saimos da carruagem, não nos sentamos no chão mas fizemos a viegem em pé.

 Chegados à Casa Branca saimos e fomos apanhar o combóio que nos levaria até Tavira, e aconteceu o mesmo, ai a viagem já era bem mais longa, e ninguém teve a amabilidade de nos ceder os lugares.

 Volvidos cerca de 45 minutos de viagem houve umas senhoras que nos cederam os lugares e lá fizemos o resto da viagem sentados.

Chineses naquela altura em Portugal poderiam-se contar pelos dedos das mãos e quando passavam eram alvo de  curiosidade e galhofa .  Perto do lugar onde iamos sentados seguiam três sujeitos, ainda jovens, e um deles olhando para minha esposa disse para um dos seus colegas, “É pá nunca fo.... nenhuma chinesa, será que é bom” o outro respondeu, olha saca-a do banco e leva-a para a casa de banho e depois saberás. Bem esta conversa fez-me chegar a mostrada ao nariz, e sem receio do que poderia vir a seguir, levantei-me e disse para o primeiro sujeito, tem piada eu ainda não fo... a tua mãe, agora pergunto-te queres sair pelo vidro da janela ou pela porta, os três sem mais demoras passaram para outra carruagem, com receio ou medo talvez que eu lhe desse uma surra, o talvez porque tivessem visto que eu estava armado.

De outra vez em Extremoz, durante uma tarde bem quente, seguiamos por uma rua estreitinha, quando uma senhora se assomou à janela e via a minha esposa, de seguida chamou a vizinha e esta a poutra e por ai fora, nunca tinham visto uam chinesa e espantadas ficaram, mas nada disseram de ofensivo, foi somente uma cena de falta de cultura.

Sinceramente não gostei dos cinco meses que passei em Portugal após o 25 de abril, e em Agosto regressamos a Macau sem vontade de voltar a Portugal, mas o fizemos dois anos depois.

As diferenças que notámos eram enormes, a cidade de Évora que era uma cidade limpa com pessoas educadas e respeitadoras, era agora uma cidade suja, com as pessoas a questionarem-se por tudo e por nada.

 Saudades do 25 de abril, não tenho, que o país ficou melhor isso é um facto, mas não em todos os campos, o povo português ganhou liberdade é certo, mas se foi endividando e as políticas seguidas não foram as melhores o que levou ao estado a que Portugal hoje se encontra.

 

 Muitas mais vezes fomos passar férias a Portugal e até compramos casa em Évora, onde ficámos cerca de meio ano, porém foi difícil a adaptação e resolvemos vender tudo o que lá tinhamos e regressar a Macau.

 


 

3 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Todos temos memórias desses dias, Amigo Cambeta.
Boas e más.
Não se vai negar nenhuma delas.
Aquele abraço!

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Uma viagem e umas férias muito atribuladas. Aqui na aldeia era tudo calmo. As notícias chegavam-nos pela TV, Rádio e jornais.
Também estava de férias e ainda antes do fim do mês regressei a Bissau. Pelo meu lado não vi nada de mais. Tenho apenas uma foto dos meninos da escola a fazerem uma manifestação. Levavam cartazes a pedir liberdade e independência.
Isto foi já no interior da Guiné e foram os professores que a organizaram.

chicomacaio esperto disse...

gostei imenso deste trecho caro CAmbeta,