o mar do poeta

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quarta-feira, setembro 30

1452 NASCEU O PRIMEIRO LIVRO



João Gutenberg, ou Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg (Mogúncia, c. década de 1390 - 3 de Fevereiro de 1468), foi um inventor alemão que se tornou famoso pela sua contribuição para a tecnologia da impressão e tipografia.




Tradicionalmente afirma-se que teria inventado os tipos móveis - que não foram mais, no entanto, que uma melhoria dos blocos de impressão já então em uso na Europa. A sua contribuição foi a da introdução de tipos (caracteres) individuais de metal e o desenvolvimento de tintas à base de óleo para melhor usá-los. Aperfeiçou ainda uma prensa gráfica, inspirada nas prensas utilizadas para espremer as uvas no fabrico do vinho.





O primeiro livro que foi impresso por Gutemberg foi a biblia, processo que iniciou cerca de 1455 e que terá terminado cinco anos depois




A Bíblia, um livro que tem continuado vivo através dos séculos e indispensável aos Servos do Rei, é o tema deste comentário.




O termo Bíblia tem origem no grego "Biblos" e somente foi usado a partir do ano 200 dC pelos cristãos é um livro singular, inspirado por Deus, diversos Escribas, Sacerdotes, Reis, Profetas e Poetas (2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21) a escreveram, num período aproximado de 1.500 anos, foram mais de 40 pessoas e notadamente vê-se a mão de Deus na sua unidade. Estes textos foram copiados e recopiados de geração para geração em diversos idiomas, tais como: Hebraico, Aramaico e grego; até chegar a nós.



Verificou-se através do Método Textual, que 99% dos textos mantêm-se fiel aos originais, é certamente uma obra divina, levando em consideração os milhares de anos entre a escrita e nossos dias. As partes mais antigas das Escrituras encontradas são um pergaminho de Isaías em hebraico do segundo século aC, descoberto em 1947 nas cavernas do Mar Morto e um pequeno papiro contendo parte do Livro de João 18.31-33,37,38 datados do segundo século dC.







Até a invenção da gráfica por Gutenberg, a Bíblia era um livro extremamente raro e caro, pois eram todos feitos artesanalmente (manuscritos) e poucos tinham acesso às Escrituras.


CIDADE DE VASSOURAS RJ - BRASIL

LEMA - MIHE MAXIME DESETUR BRASILIAE INCREMENTUM

História



Em 5 de Outubro de 1782, o açoriano Francisco Rodrigues Alves e seu sócio Luís Homem de Azevedo, que residiam em Sacra Família do Tinguá (actualmente, distrito do município de Engenheiro Paulo de Frontin), receberam uma sesmaria localizada no "sertão da Serra de Santana, Mato Dentro por detrás do Morro Azul". Posteriormente estas terras ficaram conhecidas como “Sesmaria de Vassouras e Rio Bonito".

O nome Vassouras foi dado em razão de um arbusto que era abundante na região e utilizado para confecção de vassouras. Esta vegetação pertence à família das escrofularíneas e são popularmente conhecidos como “tupeiçaba”, “guaxima” ou "vassourinha de varrer".

Francisco Rodrigues Alves foi o primeiro proprietário a residir nas terras da cidade de Vassouras. A partir de 1792 já tinha cafezais em sua propriedade, porém só em quantidade para abastecer à sua família.







PRAÇA BARÃO DO CAMPO BELO 1860

As estradas para que iam desde o porto do Rio de Janeiro até Minas Gerais, conhecidas como O Caminho Novo e o Caminho do Proença, passavam longe do atual centro de Vassouras. Entretanto, para evitar as patrulhas que percorriam estas estradas, os contrabandistas de ouro costumavam-se desviar no meio da mata virgem até perto do atual distrito de São Sebastião dos Ferreiros em Vassouras, para a partir daí descer até Xerém na Baixada Fluminense. Por volta de 1812, Inácio de Sousa Vernek construiu a Estrada Werneck que saía da aldeia de Nossa Senhora da Glória de Valença (Rio de Janeiro) e atingia o Caminho Novo permitindo seguir-se para Minas Gerais ou Rio de Janeiro. Em 1822, ficou pronta a Estrada do Comércio que começava na vila de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu, subia a serra do Tinguá, e chegava até o porto de Ubá, atual distrito de Andrade Pinto, em Vassouras, nas margens do rio Paraíba do Sul, de onde podia seguir-se para Minas Gerais e Goiás..

A fim de cortar a rota dos contrabandistas, o príncipe regente João ordenou em 1816 que fosse construída uma nova estrada na região. Para esta missão, foi contratado Custódio Ferreira Leite, futuro barão de Aiuruoca, que, por sua vez, chamou seus sete sobrinhos da família Teixeira Leite para ajudá-lo na empreitada. A estrada da Polícia cruzava o rio Paraíba do Sul na atual localidade de Juparanã em Valença (antigamente chamada Desengano), seguia até a atual localidade de barão de Vassouras, passava pelo centro do atual município de Vassouras, subia a serra até São Sebastião dos Ferreiros, e daí permitia a descida até Xerém na baixada Fluminense, de onde se podia embarcar nos portos de Pilar do Iguaçu ou de Piedade do Iguaçu, ou então seguir por estradas passando pelos atuais bairros de Irajá e Inhaúma até atingir o centro da cidade do Rio de Janeiro.


VASSOURAS - CERCA DE 1859 - FOTO DE VICTOR FRAUD

A região do vale do rio Paraíba do Sul passou por um grande desenvolvimento econômico no início do século XIX. Com o esgotamento do ouro em Minas Gerais, os mineiros migraram em grande número para esta região de ainda de mata virgem e ocupada por tribos nômades de índios Coroados. Depois de um trabalho de aldeamento de índios, a região ficou segura para ser colonizada por plantações, primeiro de cana-de-açúcar e, depois, de café. O mercado internacional começava a se interessar pela bebida e a demanda de café aumentava continuamente. A província do Rio de Janeiro tornou-se então o primeiro grande exportador internacional de café. A produção cafeeira da província do Rio de Janeiro atingiu 5.122 contos em 1828 e superou a produção de açúcar que foi de 3.446 contos. Como comparação, a província de São Paulo, que incluía então o Paraná, produziu apenas 250 contos de café em 1825 e somente em 1886 é que irá produzir mais café do que açúcar.

A estrada de Polícia e o crescimento econômico da região fizeram com que rapidamente surgisse um arraial onde atualmente é o centro da cidade de Vassouras. Neste arraial foram residir o construtor da estrada de Polícia, Custódio Ferreira Leite, e seus sobrinhos da rica família Teixeira Leite. Como era lento o desenvolvimento urbano da vila de Nossa Senhora da Conceição do Alferes, os seus vereadores resolveram mudar a Câmara Municipal para o arraial de Vassouras. A 15 de Janeiro de 1833, um decreto da Regência Trina transferiu a sede da vila.

Com o crescimento econômico devido às plantações de café, a vila de Vassouras desenvolveu-se rapidamente e foi elevada à cidade no dia 29 de Setembro de 1857. Já tinha nesta época aproximadamente 3.500 moradores na sua área urbana.




Durante a década de 1850, a cidade de Vassouras teve seu apogeu, ostentando o título de "maior produtora de café do mundo" e reconhecida como a "Princesinha do café". Entre 1856 e 1859, a província do Rio de Janeiro produziu 63.804.764 arrobas de café, enquanto as províncias de São Paulo e Minas Gerais juntas produziram apenas um quarto deste total. Foram construídos casarios, palacetes, hotéis (que viviam repletos), joalherias, teatro, etc com uma vida social intensa. Os fazendeiros do café, antes rústicos, se educavam e se socializavam e suas fazendas eram ampliadas e reformadas, para atenderem as novas necessidades e receberem hóspedes ilustres vindos da Corte. Criaram estabelecimentos de ensino importantes, freqüentados por alunos oriundos de várias partes, inclusive da cidade do Rio de Janeiro.


Neste período, Vassouras chegou a ser a maior cidade com fazendeiros nobilitados, passando a ser conhecida como "Cidade dos Barões". Aqui viveram 25 barões, 7 viscondes, 1 viscondessa, 1 condessa, 2 marqueses, considerados titulares vassourenses, entre outros.





A super-exploração e mau uso causaram o empobrecimento do solo e a a produção de café caiu em toda região. Entre 1879 a 1884, a província do Rio de Janeiro ainda contribuiu com 55,91% do total de café exportado pelo Brasil; porém, em 1894 a produção despencou para apenas 20% do total. Os crescentes preços do café no início da década de 1890 ainda sustentaram o apogeu da cidade até a segunda metade da década. Porém, com a queda de preços internacionais, muitas fazendas hipotecadas foram perdidas para o Banco do Brasil depois de serem possuídas pela mesma família por várias gerações. Os descendentes dos barões do café seguiram para a capital e outros lugares em busca da fortuna e do status perdido. Os que ficaram, abandonaram a agricultura e mudaram suas fazendas para exploração da pecuária leiteira.








Vassouras hoje guarda nas fachadas de seus casarios, palacetes e monumentos as lembranças de um período de muita riqueza que nunca será esquecido. O seu conjunto histórico urbanístico e paisagístico está protegido pelo processo de tombamento 566-T-57 de 26.06.1958 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional– IPHAN. A 24 de Dezembro de 1984, Vassouras foi declarada, por força de lei, em Estância Turística.






Geografia
Localiza-se a uma latitude 22º24'14" sul e a uma longitude 43º39'45" oeste, estando a uma altitude de 434 metros. Sua população estimada em 2005 era de 33.206 habitantes.

Possui uma área de 552,438 km². Recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por D. Pedro II do Brasil.

Distritos
Desde 15 de dezembro de 1987, o município é constituído de 4 distritos



FONTE - ENCICLOPÉDIA LIVRE
FOTOS RECOLHIDAS ATRAVÉS DA GOOGLE
Os meus sinceros parabéns ao habitantes da cidade de Vassouras, pela passagem de mais aniversário como cidade, e já lá vão 152.


terça-feira, setembro 29

28 DE SETEMBRO DE 1871 - LEI DO VENTRE LIVRE

DIA DA ASSINATURA DA LEI DO VENTRE LIVRE NO ANO DE 1871.



Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon

Sua Majestade Imperial, Dona Isabel I, Por Graça de Deus, e Unânime Aclamação dos Povos, Imperadora Constitucional e Defensora Perpétua do Brasil.


O projeto da Lei do Ventre Livre foi proposto pelo gabinete conservador presidido pelo visconde do Rio Branco em 27 de Maio de 1871. Por vários meses, os deputados do partido Conservador e do partido Liberal discutiram a proposta.
Em 28 de Setembro de 1871 a lei nº 2040 após ter sido aprovada pela Câmara, foi também aprovado pelo Senado. Embora tenha sido objeto de grandes controvérsias no Parlamento, a lei representou, na prática, um passo tímido na direção do fim da escravatura.

"Declara de condição livre os filhos de mulher escrava que nascerem desde a data desta lei, libertos os escravos da Nação e outros, e providencia sobre a criação e tratamento daqueles filhos menores e sobre a libertação anual de escravos.

A princesa imperial regente, em nome de Sua Majestade o imperador o senhor d. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte

Art. 1º
Os filhos da mulher escrava que nascerem no Império desde a data desta lei, serão considerados de condição livre.

§1º Os ditos filhos menores ficarão em poder e sob a autoridade dos senhores de suas mães, os quais terão obrigação de criá-los e tratá-los até a idade de oito anos completos. Chegando o filho da escrava a esta idade, o senhor da mãe terá a opção, ou de receber do Estado a indenização de 600$000, ou de utilizar-se dos serviços do menor até a idade de 21 anos completos. No primeiro caso o governo receberá o menor, e lhe dará destino, em conformidade da presente lei. A indenização pecuniária acima fixada será paga em títulos de renda com o juro anual de 6%, os quais se considerarão extintos no fim de trinta anos. A declaração do senhor deverá ser feita dentro de trinta dias, a contar daquele em que o menor chegar à idade de oito anos e, se a não fizer então, ficará entendido que opta pelo arbítrio de utilizar-se dos serviços do mesmo menor.


§2º Qualquer desses menores poderá remir-se do ônus de servir, mediante prévia indenização pecuniária, que por si ou por outrem ofereça ao senhor de sua mãe, procedendo-se à avaliação dos serviços pelo tempo que lhe restar a preencher, se não houver acordo sobre o quantum da mesma indenização.

§3º Cabe também aos senhores criar e tratar os filhos que as filhas de suas escravas possam ter quando aquelas estiverem prestando serviço. Tal obrigação, porém, cessará logo que findar a prestação dos serviços das mães. Se estas falecerem dentro daquele prazo, seus filhos poderão ser postos à disposição do governo.

§4º Se a mulher escrava obtiver liberdade, os filhos menores de oito anos que estejam em poder do senhor dela, por virtude do §1o, lhe serão entregues, exceto se preferir deixá-los e o senhor anuir a ficar com eles.

§5º No caso de alienação da mulher escrava, seus filhos livres, menores de doze anos, a acompanharão, ficando o novo senhor da mesma escrava sub-rogado nos direitos e obrigações do antecessor.

§6º Cessa a prestação dos serviços dos filhos das escravas antes do prazo marcado no §1º, se, por sentença do juízo criminal, reconhecer-se que os senhores das mães os maltratam, infligindo-lhes castigos excessivos.

§7º O direito conferido aos senhores no §1o transfere-se nos casos de sucessão necessária, devendo o filho da escrava prestar serviços à pessoa a quem nas partilhas pertencer a mesma escrava.

Art. 2º
O governo poderá entregar a associações por ele autorizadas os filhos das escravas, nascidos desde a data desta lei, que sejam cedidos ou abandonados pelos senhores delas, ou tirados do poder destes em virtude do Art. 1o, §6o.

§1º Aditas associações terão direito aos serviços gratuitos dos menores até a idade de 21 anos completos e poderão alugar esses serviços, mas serão obrigadas

1º A criar e tratar os mesmos menores.
2º A constituir para cada um deles um pecúlio, consistente na quota que para este fim for reservada nos respectivos estatutos.
3º A procurar-lhes, findo o tempo de serviço, apropriada colocação.
§2º As associações de que trata o parágrafo antecedente serão sujeitas à inspeção dos juízes de órfãos, quanto aos menores.

§3º A disposição deste artigo é aplicável às casas de expostos e às pessoas a quem os juízes de órfãos encarregarem a educação dos ditos menores, na falta de associações ou estabelecimentos criados para tal fim.

§4º Fica salvo ao governo o direito de mandar recolher os referidos menores aos estabelecimentos públicos, transferindo-se neste caso para o Estado as obrigações que o §1o impõe às associações autorizadas.





Art. 3º
Serão anualmente libertados em cada província do Império tantos escravos quantos corresponderem à quota anualmente disponível do fundo destinado para a emancipação.

§1º O fundo da emancipação compõe-se

1º Da taxa de escravos.
2º Dos impostos gerais sobre transmissão de propriedade dos escravos.
3º Do produto de seis loterias anuais, isentas de impostos, e da décima parte das que forem concedidas d'ora em diante para correrem na capital do Império.
4º Das multas impostas em virtude desta lei.
5º Das quotas que sejam marcadas no orçamento geral e nos provinciais e municipais.
6º De subscrições, doações e legados com esse destino.
§2º As quotas marcadas nos orçamentos provinciais e municipais, assim como as subscrições, doações e legados com destino local, serão aplicadas à emancipação nas províncias, comarcas, municípios e freguesias designadas.

Art. 4º
É permitido ao escravo a formação de um pecúlio com o que lhe provier de doações, legados e heranças, e com o que, por consentimento do senhor, obtiver do seu trabalho e economias. O governo providenciará nos regulamentos sobre a colocação e segurança do mesmo pecúlio.

§1º Por morte do escravo, metade do seu pecúlio pertencerá ao cônjuge sobrevivente, se o houver, e a outra metade se transmitirá aos seus herdeiros, na forma de lei civil. Na falta de herdeiros, o pecúlio será adjudicado ao fundo de emancipação de que trata o art. 3º.

§2º O escravo que, por meio de seu pecúlio, obtiver meios para indenização de seu valor, tem direito à alforria. Se a indenização não for fixada por acordo, o será por arbitramento. Nas vendas judiciais ou nos inventários o preço da alforria será o da avaliação.

§3º É, outrossim, permitido ao escravo, em favor da sua liberdade, contratar com terceiro a prestação de futuros serviços por tempo que não exceda de sete anos, mediante o consentimento do senhor e aprovação do juiz de órfãos.

§4º O escravo que pertencer a condôminos, e for libertado por um destes, terá direito à sua alforria, indenizando os outros senhores da quota do valor que lhes pertencer. Esta indenização poderá ser paga com serviços prestados por prazo não maior de sete anos, em conformidade do parágrafo antecedente.

§5º A alforria com a cláusula de serviços durante certo tempo não ficará anulada pela falta de implemento da mesma cláusula, mas o liberto será compelido a cumpri-la por meio de trabalho nos estabelecimentos públicos ou por contratos de serviços a particulares.

§6º As alforrias, quer gratuitas, quer a título oneroso, serão isentas de quaisquer direitos, emolumentos ou despesas.

§7º Em qualquer caso de alienação ou transmissão de escravos é proibido, sob pena de nulidade, separar os cônjuges, e os filhos menores de doze anos, do pai ou mãe.

§8º Se a divisão de bens entre herdeiros ou sócios não comportar a reunião de uma família, e nenhum deles preferir conservá-la sob o seu domínio, mediante reposição da quinta parte dos outros interessados, será a mesma família vendida e o seu produto rateado.

§9º Fica derrogada a ord. liv. 4º, tít. 63, na parte que revoga as alforrias por ingratidão.

Art. 5º
Serão sujeitas à inspeção dos juízes de órfãos as sociedades de emancipação já organizadas e que de futuro se organizarem.

Parágrafo único. As ditas sociedades terão privilégio sobre os serviços dos escravos que libertarem, para indenização do preço da compra.

Art. 6º
Serão declarados libertos

§1º Os escravos pertencentes à Nação, dando-lhes o governo a ocupação que julgar conveniente.

§2º Os escravos dados em usufruto à Coroa.

§3º Os escravos das heranças vagas.

§4º Os escravos abandonados por seus senhores. Se estes os abandonarem por inválidos, serão obrigados a alimentá-los, salvo caso de penúria, sendo os alimentos taxados pelo juiz de órfãos.

§5º Em geral os escravos libertados em virtude desta lei ficam durante cinco anos sob a inspeção do governo. Eles são obrigados a contratar seus serviços sob pena de serem constrangidos, se viverem vadios, a trabalhar nos estabelecimentos públicos. Cessará, porém, o constrangimento do trabalho sempre que o liberto exibir contrato de serviço.

Art. 7º
Nas causas em favor da liberdade

§1º O processo será sumário.

§2º Haverá apelações ex-oficio quando as decisões forem contrárias à liberdade.

Art. 8º
O governo mandará proceder à matrícula especial de todos os escravos existentes no Império, com declaração de nome, sexo, estado, aptidão para o trabalho e filiação de cada um, se for conhecida.

§1º O prazo em que deve começar e encerrar-se a matrícula será convencionado com a maior antecedência possível por meio de editais repetidos, nos quais será inserida a disposição do parágrafo seguinte.

§2º Os escravos que, por culpa ou omissão dos interessados, não forem dados a matrícula, até um ano depois do encerramento desta, serão por este fato considerados libertos.

§3º Pela matrícula de cada escravo pagará o senhor por uma vez somente o emolumento de quinhentos réis, se o fizer dentro do prazo marcado, e de mil réis, se exceder o dito prazo. O provento deste emolumento será destinado a despesas da matrícula, e o excedente ao fundo de emergência.

§4º Serão também matriculados em livro distinto os filhos da mulher escrava que por esta lei ficam livres. Incorrerão os senhores omissos, por negligência, na multa de cem mil réis a duzentos mil réis, repetidas tantas vezes quantos forem os indivíduos omitidos, e por fraude, nas penas do artigo 179 do Código Criminal.

§5º Os párocos serão obrigados a ter livros especiais para o registro dos nascimentos e óbitos dos filhos de escravas nascidos desde a data desta lei. Cada omissão sujeitará os párocos a multa de cem mil réis.

Art. 9º
O governo em seus regulamentos poderá impor multas até cem mil réis e penas de prisão simples até um mês.

Art. 10º
Ficam revogadas as disposições em contrário. Manda portanto a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém. O secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas a façam imprimir, publicar e correr.

Dada no Palácio do Rio de Janeiro, aos vinte e oito de Setembro de mil oitocentos setenta e um, quinquagésimo da Independência e do Império.

Princesa imperial Regente.

Teodoro Machado Freire Pereira da Silva.

Carta de lei pela qual Vossa Alteza Imperial manda executar o decreto da Assembléia Geral, que houve por bem sancionar, declarando de condição livre os filhos de mulher escrava que nascerem desde a data desta lei, libertos os escravos da Nação e outros, e providenciando sobre a criação e tratamento daqueles filhos menores e sobre a libertação anual de escravos, como nela se declara.

Para Vossa Alteza Imperial ver.

O Conselheiro José Agostinho Moreira Guimarães a fez.

Chancelaria-mor do Império.

Francisco de Paula de Negreiros Saião Lobato.

Transitou em 28 de setembro de 1871.

André Augusto de Pádua Fleury.

Publicada na Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, em 28 de setembro de 1871.

José Agostinho Moreira Guimarães.
Fonte - Wikisource




domingo, setembro 27

O JANTAR EM CASA 27 DE SETEMBRO


Uma boa posta de Salmão grelhado à moda coreana, acompanhado de espargos e cogumelos.




Carnes de vaca e de porco, grelhadas, à moda coreana.

Espargos e cogumelos



O indespensável arroz, água e um sumo de laranja, para além destas delicias, houve ainda frutas variadas e a respectiva bica, este foi o jantar que o articulista teve hohe, dia 27 de Setembro.
O dia esteve lindo, com o sol escaldante, porém~, e como vem aocntecendo nestes últimos dias, por volta das 18 horas a chuva, por vezes torrencial desaba sobre a cidade de Bangkok e náo só.


O ALMOÇO DE DOMINGO - 27 DE SETEMBRO




PAT THAI - UM PRATO BEM TÍPICO TAILANDES, QUE CONSISTE EM MASSA FRITA, TAO FU, NGAI CHOI (rebentos de soja), OVOS, CAMARÕES, AMENDOINS PICADOS, LIMÃO, HORTELÃ, BANANEIRA, AÇUCAR, PIRI-PIRI E ERVA DE CÃO.


UMA MARISCADA À MODA TAILANDESA, TENDO POR BASE MASSA DE ARROZ.




GALINHA ASSADA À MODA TAILANDESA, MUITO SABOROSA.



Este almoço foi servido no restaurante See Fah, sito no Home Pro, Bangkok

sábado, setembro 26

TAILÂNDIA, PAÍS DOS SORRISOS?...









10/04/2006 - Tailândia - o país dos sorrisos


Para fugir do inverno britânico que parecia não acabar mais, fui de férias para a Tailândia, no sudeste asiático.


O país é um paraíso para o turista. Tem belíssimas praias e ilhas na costa sul, parques nacionais e cachoeiras no norte, uma culinária saborosa, um povo amigável, é seguro e, como se isso tudo não fosse suficiente, é barato, principalmente para padrões europeus.


Apesar do idioma tailandês ser incompreensível e usar um alfabeto diferente, quase tudo é escrito também em inglês. Placas de trânsito, cardápios de restaurante, avisos, enfim, qualquer coisa relacionado ao turismo tem sua versão em inglês para o turista ocidental. A maioria dos tailandeses que trabalham com turismo falam um inglês básico. Não há dificuldade de comunicação. Qualquer problema, basta sorrir, como fazem os tailandeses a todo momento.


A Tailândia é chamada carinhosamente de país dos sorrisos por seu povo simpático e pacífico. A grande maioria da população é budista e cultiva valores de não violência. Em 3 semanas de viagem não vi violência alguma e nem sequer uma discussão ou uma briga de trânsito, que por sinal é caótico.


O resultado dessas condições tão favoráveis ao visitante estrangeiro é uma massa de 12 milhões de turistas por ano, 95% dos total de visitantes do sudeste asiático. Desde mochileiros procurando um bangalô baratinho na beira da praia até turistas de pacote procurando resorts luxuosos em praias mais desenvolvidas, a Tailândia oferece uma opção para todos os gostos.






Claro que isso tudo tem um preço. A super exploração do turismo deixa a desejar em cuidados ambientais. Em ilhas paradisíacas como Ko Phi Phi e Ko Tao pipocam construções desordenadas em todo lado sem planejamento ou controle. Em alguns lugares o esgoto corre a céu aberto.


Um pouco mais de controle e regulamentação ambiental faria a Tailândia um país ainda melhor para o turismo.


É interessante ver como a Tailândia preparou-se bem para receber o turista. Os preços são bons, não há violência, tudo é escrito em inglês, enfim, tudo é muito "tourist friendly".


Conversei com vários viajantes, principalmente mochileiros fazendo o trajeto do sudeste asiático que inclui Indonésia, Malásia, Laos, Vietnã e Cambodja. Invariavelmente me diziam que a Tailândia era o melhor lugar já visitado por eles nesta região do mundo. Outros países tinha belezas naturais semelhantes, porém não eram tranquilos como a Tailândia.


Uma curiosidade interessante, Tai signfica liberdade em tailandês. Tailândia signfica portanto a terra da liberdade. O nome é justo visto que o país nunca foi colônia de outro país, o que ocorrou com a maioria de seus vizinhos.


De volta em Jersey por apenas uma semana, já sinto saudades da terra da liberdade e dos sorrisos com suas ilhas, povo e culinária marcantes!


Fonte ' Baguete





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Por vezes a verdadeira realidade não fácil de ser vista ou compreendida, só para quem está dentro dos assuntos ou vive no seu meio, se vai apercebendo no seu dia a dia os problemas reais de um país.


Esta a opinião do articulista.


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Porque é que isto não é a terra dos sorrisos?



Por Phochana Phichitsiri


The Nation


Publicado em 24 de setembro de 2009






Num programa de viagens ao estrangeiro passado recentemente na televisão, o apresentador, descreveu a Tailândia, em sua introdução, como uma terra de contrastes - ao invés de "Land of Smiles", (País dos Sorrisos) a que estamos mais familiarizados.


Ele falou sobre o contraste entre a pobreza e riqueza, ricos e pobres, o caos do tráfego e serenidade do Budismo - além da contrapartida do materialismo e do espiritismo.



Na Tailândia existe uma enorme disparidade na distribuição da riqueza existindo milhões de pobres, como tal, é algo que o povo tailândes não se deve orgulhar, visto que esta grande lacuna é a raíz dos conflitos causados pelas divisões internas, entre os pobres das zonas rurais e os ricos das zonas urbanas.



Quando é que os estrangeiros tiveram a percepção do estado em que se encontra a Tailândia?


e tudo aquilo que mudou ao longos dos últimos anos?




O que os governos anteriores fizeram de errado que transformou a terra dos sorrisos para a terra de contrastes nos dias de hoje?




O que levou as pessoas a perderem as suas qualidades interiores, de ser razoáveis, hospitaleiras e pacíficas?



Fazendo uma retroespectiva dos últimos 50 anos, desde que os governos implantaram o Plano Económico de Desenvolvimento Social no ano de 1961, para promover o crescimento económico e manter a estabilidade política no país, nos primeiro cinco anos de actividade nada ou quase nada de produtivo resultou.





O governo continua executando esse plano, porém o povo está testemunhando cada vez mais disparidades, embora o padrão de vida para muitos pode ter ressuscitado, para outros, infelizmente, perderam muitas das suas qualidades morais.





Perderam'se os sorrisos nos rostos dos tailândeses, tornando numa nação sedenta de sangue, como se comprova pelo recente conflito sobre o Templo Preah Vihear.



Isso nos leva a outra questão candente hoje - temos escolhido o caminho errado? Devemos tomar a estrada menos percorrida e optar pela busca da felicidade espiritual, ao invés de continuar a viagem para promover o crescimento econômico como outras nações em todo o mundo faz? É hora de mudar a medição do sucesso do Produto Interno Bruto (PIB), a Felicidade Interna Bruta (FIB)?




Felicidade Nacional Bruta "tornou-se um chavão no mundo inteiro, graças ao colapso do capitalismo no Ocidente. Muitos ocidentais têm tentado escapar da armadilha que eles construíram, na verdade gurus espirituais com sua visão perspicaz previu o fim do capitalismo, muito antes de hoje.



O falecido Ajahn Buddhadasa do Wat (Mosteiro) Suan Mokkh, alertou há mais de 30 anos contra o desenvolvimento materialista, que é a semente do capitalismo, como ele previu que tomar essa direcção levaria a uma catástrofe mundial - o aquecimento global. O termo não foi uma palavra de ordem quando pregava contra o materialismo.



Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej veio com sua filosofia Economia Suficiência há várias décadas. Em 1974, o Rei fez seu discurso memorável sobre a filosofia suficiência que tocou o coração das pessoas "profundamente porque resistiu a uma série de crises econômicas nas últimas décadas.



Desde o Plano de Nono, (AD 2002 - 2006) o nesdb abraçou perspectivas do Rei suficiência, deslocando o foco do aumento da riqueza para preencher o fosso entre os ricos e os pobres. Importância é dada para a sustentabilidade. E o desenvolvimento não deve vir à custa do ambiente natural.



O governo Abhisit foi acusado pelo ex-primeiro Thaksin Shinawatra de copiar os médotos da sua administração, pois continua a dar esmolas populistas. O governo não tem sido capaz de desenvolver uma agenda política diferente para realmente grangear os corações do povo tailandês.




O que tem vindo a fazer é ressuscitar algumas medidas populistas - como a emissão de uma política para ajudar 100.000 pessoas com baixos rendimentos refinanciar uma estimativa 6 bilhões de Baths de dívidas para agiotas através de instituições financeiras estatais, dando 500 baths de subsídio mensal a idosos , além de uniformes escolares para todos os alunos.






Refinanciamento da dívida é uma boa medida, uma vez que pretende abordar a desigualdade, dando aos pobres o acesso aos fundos que lhes falta. Mas será que eles, efectivamente, conseguem resolver os problemas de raiz, especialmente se os devedores buscam fundos para comprar itens apenas para manter o contacto com a família Jones, ou para jogar?



Por que as pessoas se endividam é a primeira questão, o governo deve enfrentalas. Pode distribuir uniformes escolares resolver o problema da desigualdade na educação?




O ensino escolar na Tailândia é de 12 anos e é gratuito, é bem verdade, porém os filhos dos ricos têm acesso a escolas e colégios onde o ensino tem maior qualidade, mas cujas propinas não são acessíveis a todos visto cobrarem centenas de milhares de baths, esta mais uma das desigualdades patentes.



O governo certamente pode escapar ao constrangimento causado pelos comentários desdenhosos e dentro das suas disponibilidades vai aliviando as coisas, proporcionando a todos uma vida mais fácil.







Nem tudo é como se descreve nos dois artigos acima expostos, mas contêm muito de verdade.


Para quem, como o articulista, que conhece a Tailândia desde longa dada, e tem acompanhado as enormes mudanças, tem uma visão diferente da opinião dos dois articulistas, visto que o desenvolvimento economico tem sido a alma e a força do povo para o seu bem estar.


Bem sabe o articulista que esxiste igualmente muita miséria, muita desigualdade, mas isso acontece em todos os países do mundo até naqueles mais desenvolvidos.


A luta pelo poder não só se verifica na Tailândia, por vezes são praticados excessos que vêm aumentar as dificuldades do país e dar-lhe uma imagem negativa, mas isso são casos pontuais.


O povo tailandês continua firme na sua labuta diária, firme na sua fé e sempre com um sorriso nos lábios.


Apesar de todas as adversidades o povo tailândes vive feliz e bem à sua maneira, feliz consigo próprio e com uma enorme fé em Buda.



quinta-feira, setembro 24

FILOSOFIA ORIENTAL



A filosofia oriental é filosofia que foi desenvolvida de uma forma geral nos países da Ásia oriental, Oriente Médio e regiões. Ou seja, Índia, Irã (Pérsia), China, Japão, e Coreia. Muitos filósofos (logicamente os filósofos ocidentais) preferem chamar de "Pensamento Oriental", já que o termo "filosofia" surgiu na Grécia e se restringiria ao pensamento filosófico que se desdobrou dali (no Ocidente).


Argumentos contra a designação de "filosofia oriental"


Muitos tem argumentado contra a distinção entre filosofia oriental e ocidental pois tal distinção seria arbitrária e puramente geográfica e até mesmo eurocêntrica. Ela abrange três tradições filosóficas quais sejam a indiana, a chinesa e a persa que são distintas entre si assim como entre a chamada filosofia ocidental.

Outro argumento é que esta distinção dicotômica seja simplista ao ponto de estar inacurada. Além do que não leva em conta a enorme quantidade de interações ocorridas no interior da tradição filosófica euroasiática.

Percepção de Deus e dos Deuses


Por conta da influência do monoteísmo das religiões Abrahamicas a filosofia oriental tem sido mostrada essecialmente com a questão da natureza do Deus e sua relação com o Universo.

XINTOÍSMO

Xintoísmo 神道 (しんとう)



Xintoísmo (em japonês: 神道, transl. Shintō) é o nome dado à espiritualidade tradicional do Japão e dos japoneses, considerado também uma religião pelos estudiosos ocidentais. A palavra Shinto ("Caminho dos Deuses") foi adotada do chinês escrito (神道), através da combinação de dois kanjis: "shin" (神, "shin"?), que significa "deuses" ou "espíritos" (originalmente da palavra chinesa shen); e "tō" (道, "tō"?), ou "do", que significa "estudo" ou "caminho filosófico" (originalmente da palavra chinesa tao). Os termos yamato-kotoba (大和言葉) e Kami no michi costumam ser usados de maneira semelhante, e apresentam significados similares.

O xintoísmo incorpora práticas espirituais derivadas de diversas tradições pré-históricas japonesas, locais e regionais, porém não surgiu como instituição religiosa formalmente centralizada até a chegada do budismo, confucionismo e daoísmo no país, a partir do século VI. O budismo gradualmente se adaptou, no Japão, à espiritualidade nativa, como por exemplo na inclusão do kami, componente da crença xintoísta, entre os bodisatvas (bosatsu).




História

Registros históricos
Não existe um único texto sagrado central ao xintoísmo, como a Bíblia é para o cristianismo ou o Corão é para o islã; em vez disto existem livros de folclore e história, que fornecem as narrações e o contexto de diversas crenças xintoístas.

Kojiki ("Registro dos Assuntos Antigos") - fundação da história escrita do xintoísmo
Shoku Nihongi e o seu Nihon Shoki ("Crônicas Contínuas do Japão")
Rikkokushi ("Seis Histórias Nacionais")
Jinnō Shōtōki (estudo da política e da história xintoísta e japonesa) - escrito no século XIV


Origens


O xintoísmo tem raízes muito antigas nas ilhas japonesas. Sua história registrada remonta ao Kojiki (712) e ao Nihon Shoki (720), porém os registros arqueológicos datam a um período significativamente mais antigo. Ambas as obras são compilações de tradições mitológicas orais já existentes. O Kojiki estabelece a família imperial como o alicerce da cultura japonesa, na condição de descendentes de Amaterasu Omikami. Existe também uma genealogia de criação e aparição dos deuses, de acordo com um mito de criação. O Nihonshoki estava mais interessado em criar um sistema estrutural de governo, política externa, hierarquia religiosa e ordem social interna.

Existe um sistema interno de desenvolvimento histórico xintoísta que configura as relações entre o xintoísmo e outras práticas religiosas ao longo de sua história; os Kami ("espíritos") internos e externos. O Kami interno ou ujigami (uji significa "clã") favorece a coesão e a continuação dos papeis e padrões estabelecidos; e o hitogami, ou Kami externo, traz inovação, novas crenças, novas mensagens e alguma instabilidade.

Os povos jomon do Japão utilizavam-se de habitações naturais, ainda não conheciam o cultivo de arroz, e frequentemente eram coletores-caçadores; a evidência física de suas práticas rituais é de difícil documentação. Existem muitos locais que contêm estruturas rituais de pedra, e conhecem-se práticas funerárias refinadas, além dos antigos Torii, que indicam a continuidade do xintoísmo arcaico. Os jomon tinham um sistema tribal baseado em clãs, similar a muitos dos povos indígenas do mundo. No contexto deste sistema, as crenças locais desenvolveram-se naturalmente, e quando a assimilação entre os clãs ocorreu, as crenças de tribos vizinhas acabaram por influenciar as outras. A um certo ponto passou a existir um reconhecimento de que os ancestrais criaram as gerações presentes, e a reverência aos ancestrais (tama) tomou forma. Havia algum comércio entre os povos indígenas das ilhas japonesas e o continente, bem como diversas migrações, o que aumentou o crescimento e a complexidade da espiritualidade dos povos locais, através de sua exposição a novas crenças. Esta espiritualidade, no entanto, ainda era centrada no culto às forças naturais, ou mono, e aos elementos naturais dos quais todos dependiam.




Terminologia


No princípio, esta religião étnica não tinha nome, mas quando se introduziu o budismo no Japão durante o século VI, um dos nomes que este recebeu foi Butsudo, que significa "o caminho do Buda". Assim, a fim de diferenciar do budismo, a religião nativa passou a ser chamada xinto, palavra de origem chinesa, que combina dois caracteres chineses (kanji): "shin" (神, "shin"?), significando deuses ou espíritos (quando lido sozinho é pronunciado "kami") e "tō" (道, "tō"?), que significa caminho filosófico. Assim, xinto significa "o caminho dos deuses". O nome chinês foi escolhido porque na época apenas o chinês era escrito no Japão, já que não haviam desenvolvido ainda a escrita japonesa.

Tipos de xintoísmo
Reconhecem-se várias expressões do xintoísmo, que são o resultado da evolução histórica da religião, lugar da sua manifestação e prática religiosa dos adeptos.

Xintoísmo dos santuários: é o conjunto de crenças que se exprimem através das festas e das venerações nos santuários. Praticamente todos os santuários pertencem à Associação dos Santuários (Jinja honchó), fundada em Tóquio no ano de 1946.
Xintoísmo doméstico: exprime-se nos lares japoneses. Nas casas xintoístas existe em geral um pequeno altar consagrado aos deuses, o kamidana. Em cima deste altar encontra-se muitas vezes um amuleto oriundo do santuário local, do Grande Santuário de Ise e em alguns casos. Nestes altares colocam-se oferendas (saquê, arroz, sal) e recitam-se orações.
Xintoísmo imperial: é o resultado do desenvolvimento na casa imperial da prática dos ritos e cerimónias do xintoísmo.


Xintoísmo popular: caracteriza-se pela ausência de uma sistematização doutrinária e de uma organização. É o tipo de xintoísmo praticado essencialmente pelo indivíduo.
Xintoísmo das seitas: é composto essencialmente pelas treze seitas reconhecidas pelo Estado dos Meiji entre 1876 e 1908. Estas seitas possuem em geral um fundador (homem ou mulher). Até ao fim da Segunda Guerra Mundial, os grupos xintoístas que não pertenciam a uma das treze seitas não eram reconhecidos pelo Estado, o que gerou a integração de muitos desses grupos numa das seitas existentes. Depois da guerra, e tendo sido declarada a liberdade religiosa, alguns grupos estabeleceram-se como organizações independentes.


Escrituras sagradas
O xintoísmo não possui um livro sagrado, como a Bíblia ou o Alcorão. Há no entanto um conjunto de textos sobre os ensinamentos da religião que recebem o nome de Shinten, "escrituras sagradas", mas não são considerados textos revelados ou de carácter sobrenatural.

Kojiki ("Anais das coisas antigas"): datado de 712, é o texto sagrado mais antigo, sendo composto por três volumes.
Nihonshoki ("Crônicas do Japão"): foi redigido em 720 em chinês em 30 volumes. Também conhecido como Nihongi.


Kogo-shui: compilação das tradições do clã dos Imbe, uma família que junto com a família dos Nakatomi era responsável pelos ritos. A sua redacção foi concluída em 807.
Estes livros apresentam as narrativas míticas da tradição xintoísta. Os mitos descritos referem-se a um caos primordial em que os elementos se mesclam em massa amorfa e indistinta, "como num ovo". Os deuses surgiram desse caos.





O xintoísmo baseia-se no culto aos kami (神). Esta palavra é frequentemente traduzida por "deus" ou "divindade", o que não traduz completamente o conceito, dado que os kami pode ser também forças vitais ou espíritos da natureza. Ao contrário dos deuses das outras religiões, os kami não são onipotentes ou oniscientes, possuindo poderes limitados. Nem todos kami são bons. Alguns kami são locais ou conhecidos como espíritos de um local em particular ou a lugares (montanhas, ervas, árvores, vales, rios, mares, encruzilhadas. Outros representam elementos ou processos da natureza, como por exemplo, Amaterasu, a deusa do Sol, Tsukiyomi, deusa da lua, Susanoo, deus da tempestade.

Existem kami ligados a fenómenos meteorológicos (chuva, vento (Fujin), trovão...), e kamis associados à vida humana (vestuário, transportes, ofícios, etc.). Incluem-se ainda no conceito de kami os espíritos de homens notáveis, como de certos guerreiros. Os espíritos dos antepassados também são considerados deuses tutelares da família ou do país, motivo pelo qual os ritos fúnebres possuem grande relevo.

Os textos xintoístas referem-se a "oitocentas miríades" de kami (yaoyorozu no kami); este número não deve ser interpretado literalmente, pretendendo-se apenas transmitir a noção de que existem inúmeros kami. Os kami não são perceptíveis pelo ser humano.

Podem ser divididos em dois tipos: os que habitam no céu (amatsukami) e os que habitam na terra (kunitsukami). Os primeiros trazem à terra influências positivas, enquanto que os segundos mantêm-na como ela.

O kami mais eminente é a deusa-sol Amaterasu O-mikami, antepassada da família real japonesa. O seu santuário principal é o Grande Santuário de Ise.




CONFUCIONISMO



O confucionismo (儒學) é um sistema filosófico chinês criado por Kung-Fu-Tzu(Confúcio). Entre as preocupações do confucionismo estão a moral, a política, a pedagogia e a religião. Conhecida pelos chineses como Junchaio (ensinamentos dos sábios). Fundamentada nos ensinamentos de seu mestre, o confucionismo encontrou uma continuidade histórica única.



História


Dos seguidores de Confúcio, o século I A.C. encontrou em Meng zi (Mêncio ou Mâncio) e Xun Zi um grande desenvolvimento e expansão na sociedade. Esses dois originais autores buscaram compreender o confucionismo dentro de uma perspectiva naturalista, recorrente nas forças que atuavam na sociedade em seus períodos de vida.

Acreditava na importância da educação para retificar a boa natureza humana, que teria sido depravada em função dos conflitos e das necessidades impostas pela vida. O ser humano possuiria a capacidade de desenvolver um espírito de ajuda mútua de modo a evitar os conflitos interpessoais inerentes à existência humana.



De qualquer modo, já na antiguidade o confucionismo atingiu um pleno sucesso, tornando-se uma filosofia moral de profundo impacto na estrutura social e cotidiana da sociedade. O valor ao estudo, à disciplina, à ordem, à consciência política e ao trabalho são lemas que o confucionismo introjetou de maneira definitiva na vida da civilização chinesa da antiguidade aos dias de hoje.


Note-se que, ao contrário do que muitos afirmam, o confucionismo não se trata de uma religião. Não possui um credo estabelecido, mas apenas determinações rituais de caráter social, que permitem a um adepto do confucionismo a liberdade de crença em qualquer tipo de sistema metafísico ou religioso que não vá contra as regras de respeito mútuo e etiqueta pessoal.




Dias de hoje


O confucionismo é ainda praticado em vários países. Além da sua origem asiática, diversos países incorporam alguns conceitos do sistema em suas práticas notadamente urbanas. No Brasil, é sentido em grupos de indíviduos que estudam religiões não cristãs.


Ditos do Confucionismo


Mesmo nas situações mais pobres uma pessoa que vive corretamente será feliz.Coisas mal adquiridas nunca trarão felicidade.








TAOISMO



O Yin-Yang é o símbolo do Taoísmo, uma das mais conhecidas religiões dharmicas. Um círculo dividido ao meio por uma linha ondulada; uma metade é negra (yin) e a outra é branca(yang). Cada metade tem também um pequeno círculo da cor oposta, ou seja, a metade branca tem um círculo negro e a negra tem um círculo branco.


Esse símbolo representa o equilíbrio das forças positivas e negativas do universo: a metade negra representa o negativo, o escuro, a noturno e o feminino e a metade branca representa o suave, o iluminado, o diurno e o masculino. O círculo menor representa a presença de cada um no outro. Alguns estudiosos sem excepcional experiência com a filosofia chinesa clássica dizem que o yang é o bem e o yin é o mal; contudo, segundo o físico teórico Fritjof Capra, influenciado oscilação entre os dois pólos; todas as transições ocorrem gradualmente e numa progressão e distorção em subseqüente eras patriarcais.


Em biologia humana, as características masculinas e femininas não estão nitidamente separadas, mas ocorrem, em proporções variáveis, em ambos os sexos. Da mesma forma os chineses acreditavam que todas as pessoas , homens ou mulheres, passam por fases yin e yang. A personalidade de cada homem e de cada mulher não é uma entidade estática, mas um fenômeno dinâmico resultante da interação entre elementos masculinos e femininos. Essa concepção da natureza humana está em contraste flagrante com a da nossa cultura patriarcal, que estabeleceu uma ordem rígida em que se supõe que todos os homens, machos, são masculinos e todas as mulheres, fêmeas, são femininas, e distorceu o significado desses termos ao conferir aos homens os papéis de protagonistas e a maioria dos privilégios da sociedade.


Em virtude dessa predisposição patriarcal, a freqüente associação do yin com a passividade e do yang com a atividade é particularmente perigosa. Em nossa cultura, as mulheres têm sido tradicionalmente retratadas como passivas e receptivas, e os homens como ativos e criativos. Essas imagens remontam à teoria da sexualidade de Aristóteles, e têm sido usadas ao longo dos séculos como explicação científica para manter as mulheres num papel subordinado, subserviente, em relação aos homens. A associação do yin com passividade e do yang com atividade parece ser ainda uma outra expressão de estereótipos patriarcais, uma moderna interpretação ocidental que está longe de refletir o significado original dos termos chineses. É um símbolo muito presente não só na religião, mas também em toda a cultura do mundo contemporâneo e é conhecido tanto no Ocidente quanto no Oriente.


Um exemplo disso é o brasão de armas do renomado físico de Mecânica Quântica Niels Bohr que tem o símbolo chinês do Tao yin-yang e acima deste a frase, em Latim: "Contraria sunt complementa" que significa os opostos ou os contrários (Contraria) são (sunt, terceira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo sum, ser/estar, existir, cujo infinitivo é esse) complementares (complementa







Taoísmo (ou daoísmo) é uma palavra empregada para traduzir dois termos chineses distintos, "Daojiao" (道教) (pinyin: Dàojiào; Wade-Giles: Tao-chiao), que se refere aos "ensinamentos ou à religião do Dao, e "Daojia", que se refere à (道家) "escola do Tao (ou Dao)", a uma linha de pensamento da filosofia chinesa.


Assim, o termo taoísmo pode referir-se a:

Uma escola de pensamento filosófico chinês que se baseia nos textos do Tao Te Ching atribuídos a Lao Tse e nos escritos de Chuang Tse.
Um movimento religioso chinês com origem em Zhang Daoling no final da Dinastia Han que se estrutura em seitas como a Zhengyi ("Ortodoxa") e Quanzhen ("realidade completa").


As manifestações da tradição religiosa chinesa, de caráter popular, que integram elementos da religião Taoísta, do Confucionismo e do Budismo.





Origens
Tradicionalmente, o taoísmo é atribuído a três fontes principais:

O mais antigo, o mítico "Imperador Amarelo";
o mais famoso, o livro de aforismos místicos, o Dao De Jing (Tao Te Ching), supostamente escrito por Lao Zi (Lao Tse), que, segundo a tradição, foi um contemporâneo mais velho de Confúcio;
e o terceiro, os trabalhos do filósofo Zhuang Zi (Chuang Tse).
Outros livros ampliaram o Taoísmo, como o True Classic of Perfect Emptiness, de Lie Zi; e a compilação Huainanzi.
Além destes, o antigo I Ching, O Livro Das Mutações, é tido como uma fonte extra do taoísmo, assim como práticas de divinação da China antiga.


Filosofia


Do Caminho surge um (aquele que está consciente), de cuja consciência por sua vez surge o conceito de dois (yin e yang), dos quais o número três está implícito (céu, terra e humanidade); produzindo finalmente por extensão a totalidade do mundo como o conhecemos, as dez mil coisas, através da harmonia das Wuxing. O Caminho enquanto passa pelos cinco elementos do Wuxing é também visto como circular, agindo sobre si mesmo através da mudança para simular um ciclo de vida e morte nas dez mil coisas do universo fenomênico.
Aja de acordo com a natureza, e com sutileza em lugar de força.
A perspectiva correta será encontrada pela atividade mental da pessoa, até chegar a uma fonte mais profunda que guie sua interação pessoal com o universo (veja 'wu wei' abaixo). O desejo obstrui a habilidade pessoal de entender O Caminho (veja também karma), moderar o desejo gera contentamento. Os taoístas acreditam que quando um desejo é satisfeito, outro, mais ambicioso, brota para substitui-lo. Em essência, a maioria dos taoístas sente que a vida deve ser apreciada como ela é, em lugar forçá-la a ser o que não é. Idealmente, não se deve desejar nada, "nem mesmo não desejar".


Unidade: ao perceber que todas as coisas (inclusive nós mesmos) são interdependentes e constantemente redefinidas pela mudança das circunstâncias, passamos a ver todas as coisas como elas são, e a nós mesmos como apenas uma parte do momento presente. Esta compreensão da unidade nos leva a uma apreciação dos fatos da vida e do nosso lugar neles como simples momentos miraculosos que "apenas são".


Dualismo, a oposição e combinação dos dois princípios básicos Yin e Yang do universo, é uma grande parte da filosofia básica. Algumas das associações comuns com Yang e Yin, respectivamente, são: masculino e feminino, luz e sombra, ativo e passivo, movimento e quietude. Os taoístas acreditam que nenhum dos dois é mais importante ou melhor que o outro, na verdade, nenhum pode existir sem o outro, porque eles são aspectos equiparados do todo. São em última análise uma distinção artificial baseada em nossa percepção das dez mil coisas, portanto é só nossa percepção delas que realmente muda.


Muito da essência do Tao está na arte do wu wei (agir pelo não-agir). No entanto, isto não significa "espere sentado que o mundo caia no seu colo". Essa filosofia descreve uma prática de se realizar coisas através da ação mínima. Pelo estudo da natureza da vida, você pode influenciar o mundo do modo mais fácil e menos disruptivo (usando a sutileza em vez da força). A prática de seguir a corrente em vez de ir contra ela é uma ilustração; uma pessoa progride muito mais não por lutar e se debater contra a água, mas permanecendo quieta e deixando o trabalho nas mãos da correnteza.

O Wu Wei funciona a partir do momento em que confiamos no "design" humano, perfeitamente ajustado para nosso lugar na natureza. Em outras palavras, confiando na nossa natureza em vez da nossa racionalidade, nós podemos encontrar contentamento sem uma vida de luta constante contra forças reais e imaginárias.

Uma pessoa pode aplicar essa técnica no ativismo social. Em vez de apelar para que outros tomem atitudes relacionadas a uma causa, seja qual for a sua importância ou validade, ela pratica uma vida de acordo com o que acredita, "remando contr a maré". Ao deixar sua crença se manifestar em suas ações, está assumindo sua responsabilidade pelo movimento social que acredita.

Religião


Embora Lao Zi nunca tenha pregado nenhuma religião no Tao Te King e se tenha sempre mantido no terreno filosófico e moral, cerca de mil anos depois da sua morte formou-se um corpo de doutrinas e de práticas religiosas e culturais que constituíram a religião taoista. A religião taoista conserva apenas uns traços da filosofia de Lao Zi com empréstimos de ideias e práticas culturais do budismo, com a introdução de vários deuses, deusas e génios, e uma mistura com algumas crenças preexistentes, como a Teoria dos Cinco Elementos, a alquimia e o culto aos ancestrais.

Tentativas de alcançar maior longevidade eram um tema frequente na magia e alquimia taoístas, com vários feitiços e poções, ainda existentes, com esse propósito.

Muitas versões antigas da Medicina Tradicional Chinesa foram enraizadas no pensamento taoísta, e a medicina chinesa moderna bem como as artes marciais chinesas são ainda de várias formas baseadas em conceitos taoístas, como o Tao, o Qi, e o balanço entre o yin e o yang (Ver Yin yang).

Com o tempo, a absoluta liberdade dos seguidores do taoísmo pareceu ameaçadora à autoridade de alguns governantes, que incentivaram o crescimento de seitas mais comprometidas com as tradições confucionistas. Uma escola taoísta foi formada ao fim da dinastia Han, por Zhang Daoling.

Muitas seitas evoluíram através dos anos, mas a maioria traça suas origens a Zhan Daoling, e grande parte dos templos taoístas modernos pertence a uma ou outra dessas seitas.

As escolas taoístas incorporam panteões inteiros de divindades, incluindo Lao Zi, Zhang Daoling, o Imperador Amarelo, o Imperador Jade, Lei Gong (O Deus do Trovão) e outros.

As duas maiores escolas taoístas da atualidade são a Seita Zhengyi (evoluída de uma seita fundada por Zhang Daoling) e o Taoísmo Quanzhen (fundado por Wang Chongyang).


O Budismo Chan, que se desenvolveu como um escola distinta na China medieval, reflectiu fortes influências da filosofia chinesa e, em particular, do Taoísmo. Com o tempo, o Chan acabou se estabelecendo na Coréia, onde recebeu o nome Seon. Havia monges que chegavam de outros países da Ásia para estudar o Chan, e a escola foi se espalhando pelos países vizinhos. No Vietname, recebeu o nome Thien, e, no Japão, ficou conhecida como Zen. Através da história, essas escolas cresceram de maneira independente, tendo desenvolvido identidades próprias e características bastante diferentes umas das outras. Na China, elementos do taoísmo se combinaram com elementos do Budismo e do Confucionismo na forma do Neo-Confucionismo.

Taoísmo fora da China


A filosofia taoísta é praticada em várias formas, em outros países além da China. Kouk Sun Do na Coréia é uma dessas variações.

A filosofia taoísta encontrou muitos seguidores ao redor do mundo. Genghis Khan era simpático à filosofia taoísta, e durante as primeiras décadas de dominação mongol, o taoísmo viu um período de expansão, entre os séculos XIII e XIV. Devido a isso, muitas escolas taoístas tradicionais mantém centros de ensino em vários países ao redor do mundo.


O caminho taoísta propõe a restauração do estado pleno de vida e consciência, chamado Tao. Para isso, utilizam-se vários meios, como as práticas que promovem a boa saúde física e mental, o estudo de clássicos escritos pelos grandes mestres do passado, os métodos místicos para a restauração da ordem interna e fundamentalmente, a meditação, como caminho de auto-transformação e elevação espiritual.





O Tao do Taoísmo
O ideograma Tao (ou Dao) (道) pode ser traduzido como "caminho", mas assume um significado mais abstrato para a religião e para a filosofia chinesa.

Traduzido literalmente, significa "o ensinamento do Tao". No contexto taoísta, 'Tao' pode ser entendido como um caminho no espaço-tempo - a ordem na qual as coisas acontecem.

Como termo descritivo, pode se referir ao mundo real na história - algumas vezes nomeado como o "grande Tao" - ou, antecipadamente, como uma ordem que deve se manifestar - a ordem moral de Confúcio ou Lao Tsé ou Cristo, etc.

Um tema no pensamento chinês primitivo é Tian-dao ou caminho da natureza (também traduzido como "céu", e às vezes "Deus"). Corresponde aproximadamente à ordem das coisas de acordo com a lei natural.

Tanto o "caminho da natureza" quanto o "grande caminho" inspiram o afastamento estereotípico taoísta das doutrinas morais e normativas. Assim, pensado como o processo pelo qual cada coisa se torna o que ela é (a "Mãe de todas as coisas") parece difícil imaginar que temos que escolher entre quaisquer valores de seu conteúdo normativo - portanto pode ser visto como um príncípio eficiente de "vazio" que sustenta confiavelmente o funcionamento do universo.

Taoísmo e confucionismo


O taoísmo é uma tradição que dialogando com seu tradicional contraste, o confucionismo, modelou a vida chinesa por mais de 2000 anos.

O taoísmo enfatiza a espontaneidade ou liberdade da manipulação sócio-cultural pelas instituições, linguagem e práticas culturais. Manifesta o anarquismo - defendendo essencialmente a idéia de que não precisamos de nenhuma orientação centralizada. Espécies naturais seguem caminhos apropriados a elas, e os seres humanos são uma espécie natural. Seguimos todos por processos de aquisição de diferentes normas e orientações da sociedade, e no entanto podemos viver em paz se não procuramos unificar todas estas formas naturais de ser.

Como o conceito confucionista de governo consiste em fazer todos seguirem o mesmo moral tao, o taoísmo representa de muitas maneiras a antítese do conceito confucionista referente a deveres morais, coesão social e responsabilidades governamentais, mesmo que o pensamento de Confúcio inclua valores taoístas e o inverso também ocorra, como se pode observar lendo os Analetos de Confúcio.





JAINISMO ou JINISMO

O símbolo do Jainismo é uma variação do Darmacakra.



Nesse caso, a roda dharmica situa-se no interior da figura de uma mão. A mão é geralmente vista como símbolo de sabedoria e de ensinamento. Logo, sendo o Darmacakra um símbolo presente em muitas religiões dharmicas, é um símbolo da sabedoria na sua religião. O Jainismo é uma religião que recebeu muita influência do Budismo, que por sua vez recebeu muita influência do Hinduísmo, todas religiões dharmicas. Também simboliza a oposição à violência.




Segundos os historiadores da religião, o jainismo estabeleceu-se na Índia em meados do primeiro milénio a.C.. O seu fundador foi o Mahavira, existindo duas propostas para o período em que viveu: 599 a.C. - 527 a.C (data tradicional apontada pelo jainismo) ou 540 a.C - 470 a.C. (segundo os académicos). Nasceu perto de Patna, naquilo que é hoje o estado do Bihar. Foi um contemporâneo do Buda, tendo pregado na mesma região geográfica, embora não conste que os dois mestres se tenham alguma vez encontrado. Pertencia à casta dos guerreiros (xátrias), casou, viveu no luxo até que por volta dos trinta anos tornou-se um mendigo errante.

Entregou-se a longos processos ascéticos até obter a iluminação, tendo consagrado os restantes trinta ou quarenta anos da sua vida a pregar a sua doutrina. Faleceu em Pavapuri, no Bihar, que é desde então um dos principais locais de peregrinação jaina.

De acordo com os jainas, a sua religião é eterna, tendo sido a doutrina revelada ao longo de várias eras pelos Tirthankaras, palavra que significa "fazedores de vau", ou seja, alguém que ensinou o caminho. Os Tirthankaras foram almas nascidas como seres humanos que alcançaram a libertação (moksha) do ciclo dos renascimentos através da renúncia e que transmitiram os seus ensinamentos aos homens. Na presente era existiram 24 Tirthankaras.


O último desses Tirthankaras foi o Mahavira, que os jainas não consideram como o fundador do jainismo, mas antes aquele que lhe deu a sua forma actual. O 23.º Tirthankara foi Parshva, que os historiadores consideram ter sido provavelmente uma figura histórica que viveu cerca de três séculos antes do Mahavira. Os jainas acreditam que Parshva pregou os 4 grandes princípios do jainismo, a saber: não-violência (ahimsa), evitar a mentira, não se apropriar do que não foi dado e não se apegar às posses materiais; o Mahavira acrescentou o princípio da castidade.

O tempo


Os jainas consideram que o tempo é infinito e cíclico. Ele é visto como uma grande roda dividida em duas partes idênticas: uma realiza um movimento ascendente (Utsarpini), enquanto que a outra um movimento descendente (Avasarpini). Cada uma destas partes divide-se em seis eras (ara). Durante o período ascendente os seres humanos progridem ao nível do saber, estatura e felicidade, enquanto que o período descendente caracteriza-se pela degradação do mundo, pelo esquecimento da religião e pela perda de qualidade de vida pelos humanos.

Segundo os jainas, vivemos actualmente num período de movimento descendente, numa era de infelicidade (Dukham Kal), que começou há 2500 anos e que durará 21 mil anos.

O universo e os cinco mundos


Segundo o jainismo, o universo divide-se em cinco mundos, sendo cada um deles habitado por determinado tipo de seres. O universo é eterno, não tendo sido criado por nenhum ser superior.

No topo do universo está a morada suprema (siddhashila), que é o local onde habitam as almas que alcançaram a libertação (estas almas são denominadas Siddhas). Abaixo encontram-se trinta céus, habitados por seres celestiais, alguns dos quais caminham para a morada suprema.

O mundo médio (madhyaloka) inclui vários continentes separados por mares. No centro deste mundo encontra-se o continente Jambudvipa, considerado o único continente no qual as almas podem alcançar a libertação. Os seres humanos habitam este continente, bem como um segundo continente ao lado deste e parte do terceiro continente.

O mundo inferior (adholoka) consiste em sete infernos, onde os seres são atormentados por demónios e onde se atormentam uns aos outros. Abaixo do sétimo inferno encontra-se a base do universo (nigoda), habitada por inúmeras formas inferiores de vida.



Karma


À semelhança do hinduísmo e do budismo, o jainismo partilha da crença no karma, embora de uma forma diferente. O karma no jainismo não é apenas um processo em que determinadas acções produzem reacções, mas também uma substância física que se agrega a uma alma. As partículas de karma existem no universo e associam-se a uma alma devido às acções dessa alma (por exemplo, quando uma alma mente, rouba ou mata esta provoca a agregação de karma na sua alma). A quantidade e qualidade destas partículas determinam a existência que a alma terá, a sua felicidade ou infelicidade. Só é possível a uma alma alcançar a libertação quando desta se retirarem todas as partículas de karma.

O processo que permite a libertação das partículas de karma de uma alma denomina-se nirjara e inclui práticas como o jejum, o retiro para locais isolados, a mortificação do corpo e a meditação.

Formas de vida
Monges e freiras

Homem jaina no interior do templo de Ranakpur. A parte inferior de seu rosto encontra-se coberta com uma máscara de modo a não inalar insectosO jainismo considera a vida monástica como o ideal de vida dos seres humanos. Entre os Svemtambara a entrada na vida monástica é autorizada aos dois sexos a partir dos sete anos, mas realiza-se em geral numa idade mais avançada. O noviço deve abandonar todos os seus bens; por altura da sua ordenação (diksa) a sua cabeça é rapada e ele toma os cincos votos, que segue numa versão mais rigorosa do que a dos leigos (mahavrata).

Os monges jainas levam uma vida itinerante, com excepção da época das monções, altura em que se recolhem numa determinada localidade. Dependem para a sua alimentação da caridade fornecida pelos leigos jainas, a quem oferecem em troca assistência espiritual.

Os monges do ramo Svetambara podem ser donos de pequenas coisas, como uma fina veste branca, uma tigela onde recebem os alimentos dos leigos e uma máscara de tecido usada sobre a boca (mukhavastrika), cujo objectivo é evitar a ingestão involuntária de pequenos insectos. Os monges Digambara interpretam o preceito do desapego de uma forma bastante rigorosa e por esta razão não usam roupas; as freiras deste ramo usam uma veste branca. Os monges Digambara não possuem uma tigela e usam a mãos como recipiente dos alimentos. Os monges "Svetambara" costumam se deslocar em pequenos grupos de cinco ou seis monges, enquanto que os Digambara geralmente viajam sozinhos.

Todos os monges devem seguir as três regras que evitam a conduta incorrecta (guptis: ter cuidado com os pensamentos, as palavras e as acções).

Entre os Svetambara o número de freiras ultrapassa o de monges. As freiras Digambara aceitam a doutrina que afirma que para se avançar no caminho espiritual é necessário nascer com um corpo masculino.



SIKKISMO















Siquismo










O principal símbolo do Siquismo é o Khanda.


Esse símbolo está presente na bandeira dos sikhs, a Nishan Sahib, hasteada em todos os templos sikhs, os gurdwaras. O símbolo é a fusão de quatro armas, cada uma com seu significado: no centro uma espada de dois gumes (chamada Khanda, de onde surgiu o nome do símbolo) que simboliza a criatividade e o poder divino; ao redor do Khanda está o Chakkar, arma com forma circular que representa a perfeição de Deus; e duas espadas chamadas de Kirpans em torno do Khanda e do Chakkar: a espada esquerda representa o pin (o poder espiritual) e a espada direita o min (o poder temporal). Na bandeira do Irã está presente um símbolo muito parecido com Khanda, mas não é o mesmo símbolo nem tem o mesmo significado.

















O sikhismo é uma religião monoteísta fundada em fins do século XV no Punjab (região atualmente dividida entre o Paquistão e a Índia) pelo Guru Nanak (1469-1539).

Habitualmente retratado como o resultado de um sincretismo entre elementos do hinduísmo e do misticismo do islão (o sufismo), o sikhismo apresenta contudo elementos de originalidade que obrigam a um repensar desta visão redutora.







História











O fundador do sikhismo, o Guru Nanak, nasceu em 1469 na aldeia de Talwandi, localidade que é hoje conhecida como Nankana Sahib e que está situada a cerca de 65 quilómetros da cidade paquistanesa de Lahore. Pertencia a uma família hindu da casta comerciante dos Khatri.

Uma série de relatos lendários sobre o seu nascimento, os Janamsakhi, escritos cerca de cinquenta anos depois da sua morte, apresentam Nanak como um jovem que gostava da oração e de ler os textos dos sábios do seu tempo.

Após quatro grandes viagens (chamadas Udasis) em direcções opostas, que terão incluído o Tibete, Ceilão, Bengala, Meca e Bagdade, o Guru Nanak pregou a hindus e muçulmanos, captando assim um grupo numeroso de discípulos (sikhs). Segundo os seus ensinamentos, a religião deveria ser um meio de união entre os seres humanos, mas, na prática, esta parecia como que confrontar as pessoas. Neste sentido, lamentava de forma especial os enfrentamentos entre hindus e muçulmanos, assim como as práticas de carácter ritual que apartavam o ser humano da busca do divino. A sua intenção era chegar a uma realidade mais além das diferenças superficiais entre as duas religiões, e daí a sua famosa máxima "Não há hindus, não há muçulmanos" (Puratan Janam-sakhi).

O Guru Nanak instituiu o sistema do langar ("cozinha" ou "refeitório comunitário") que se perpetuou até aos nossos dias. O objectivo desta instituição foi fomentar a fraternidade e a igualdade entre os seres humanos. No langar prepara-se o karah prasad, uma refeição sagrada feita à base de farinha, açúcar e manteiga batida. Todos os participantes numa cerimónia religiosa de um templo sikh recebem este alimento, sem distinção de casta, nível económico ou crenças religiosas.

Após a morte do Guru Nanak sucederam-se nove gurus. Cada um deles contribuiu para a consolidação da religião e da identidade sikh.

Nanak nomeou como seu sucessor não o seu filho, mas um dos seus discípulos mais próximos, Lehna, a quem ele chamou de Angad ("um outro eu"). O Guru Angad (1504/1539-1552) dotou a língua panjabi da escrita gurmukhi.

O Guru Amar Das (1479/1552-1574) aboliu entre os sikhs a prática hindu da sati (o sacrifício das viúvas), bem como o uso do véu (purdah) pelas mulheres. Criou também vinte e dois distritos de pregação.

O Guru Ram Das (1534/1574-1581) comprou um terreno onde mandou escavar um tanque, o Amritsar ("tanque da Ambrosia"), na origem do nome da actual cidade do Penjabe.

O Guru Arjun (1563/1581-1606) ordenou em 1589 a construção, no meio do tanque de Amritsar, do primeiro templo sikh, o Harmandir ("Templo de Hari"), hoje conhecido como o Templo de Ouro. Ele também compilou o livro sagrado da religião, o Guru Granth Sahib, e mandou instalá-lo no templo. Os mogóis, senhores do Punjabe nesta época, reagem com hostilidade ao crescimento da comunidade sikh, tendo o Guru Arjun sido detido e morto pelo imperador mogol Jehangir.

O Guru Hargobind (1595/1606-1645), perante a perseguição movida aos sikhs, militarizou a religião. Ele acrescentou uma segunda espada à que os cinco gurus já tinham usado. O uso das duas espadas pelo guru representou a concentração na sua pessoa de dois tipos de autoridade, a espiritual (piri) e a temporal (miri). Desenvolveu-se desta forma a ideia da guerra como acto de auto-defesa da comunidade sikh e como garante da ordem e da justiça.

Os dois gurus que o sucederam, o Guru Har Rai (1630/1644-1661) e o Guru Har Khrishan (1656/1661-1664) tiveram uma liderança apolítica. O primeiro tinha um carácter contemplativo e interessou-se pouco pelo aspecto temporal da religião, enquanto que o segundo foi Guru por apenas três anos.

O Guru Tegh Behadur (1622/1664-1676) recusou converter-se ao islão, tendo sido por esta razão executado pelo imperador mogol Aurangzeb.

O décimo Guru sikh, Gobind Singh (1666/1676-1708), fundou a ordem militar dos Khalsa e criou um rito de iniciação chamado amrit, também conhecido como khande de pahul. Amrit designa a água açucarada, mexida com o sabre de dois gumes, que o iniciado e os outros participantes na cerimónia devem beber.

O século XVIII ficou marcado pela ascensão política do sikhs no Punjabe. Em 1801 Ranjit Singh fundou o reino de Lahore que durou até 1849, ano em que foi anexado pelos britânicos. Em 1873 a comunidade sikh agrupou-se na Singh Sabha ("Assembleia dos Leões"), um órgão criado como forma de garantir os interesses da comunidade sikh no Punjabe de finais do século XIX, marcado pelo revivalismo religioso islâmico e hindu, bem como pela acção dos missionários cristãos. Em 1920 os sikhs criaram um partido político, o Akali Dal ("Partidários do Intemporal") como o propósito de assegurarem os seus interesses. Este partido opôs-se à partilha do Punjabe entre a Índia e o Paquistão, facto que se consumou em 1947. A maior parte dos sikhs que viviam no território actualmente paquistanês migraram para a Índia aquando da separação como forma de evitar a perseguição religiosa.







Principais crenças

Texto do Mul Mantar, a oração principal do sikhismo, em alfabeto gurmukhi.O termo sikh significa em língua punjabi "discípulo forte e tenaz". A doutrina básica do sikhismo consiste na crença em um único Deus e nos ensinamentos dos Dez Gurus do sikhismo, recolhidas no livro sagrado dos sikhs, o Guru Granth Sahib, considerado o décimo-primeiro e último Guru.

Para o sikhismo, Deus é eterno e sem forma, sendo impossível captá-lo em toda a sua essência. Ele foi o criador do mundo e dos seres humanos e deve ser alvo de devoção e de amor por parte dos humanos.

O sikhismo ensina que os seres humanos estão separados de Deus devido ao egocentrismo que os caracteriza. Esse egocentrismo (haumai) faz com que os seres humanos permaneçam presos no ciclo dos renascimentos (samsara) e não alcancem a libertação, que no sikhismo é entendida como a união com Deus. Os sikhs acreditam no karma, segundo o qual as acções positivas geram frutos positivos e permitem alcançar uma vida melhor e o progresso espiritual; a prática de acções negativas leva à infelicidade e ao renascer em formas consideradas inferiores, como em forma de planta ou de animal.

Deus revela-se aos homens através da sua graça (Nadar), permitindo a estes alcançar a salvação. O Divino dá-se a ouvir, revelando-se enquanto nome. Segundo os ensinamentos do Guru Nanak e dos outros gurus, apenas a recordação constante do nome (nam simaram) e a repetição murmurada do nome (nam japam) permitem os seres humanos libertar-se do haumai.

Ética e formas de culto

O sikhismo coloca ênfase em três deveres, descritos como os Três Pilares do sikhismo:

Manter Deus presente na mente em todos os momentos (Nam Japam);






Alcançar o sustento através da prática de trabalho honesto (Kirt Karni);






Partilhar os frutos do trabalho com aqueles que necessitam (Vand Chhakna).






O rito principal é o da admissão entre os khalsa, fraternidade dos "puros", geralmente celebrado na puberdade.

O principal templo sikh, Harimandir Sahib (o Templo de Ouro, em Amritsar), é um lugar de peregrinação. Uma intervenção de tropas indianas ordenada por Indira Gandhi no início dos anos 80 levou à revolta dos sikhs e ao assassinato da primeira-ministra indiana em 1984.